A candidatura do Bloco de Esquerda/Madeira reuniu-se na tarde de hoje com a Comissão de Trabalhadores da RTP, que apresentou as suas principais preocupações.
De entre as mesmas sobressaem a falta de uma estratégia definida para o centro regional da RTP, que aposta cada vez menos na produção regional, limitando recursos e o cumprimento do serviço público subjacente à sua função.
A principal preocupação centra-se, contudo, ao nível dos recursos humanos e reflecte uma ausência de respeito por quem trabalha e garante a emissão diária do canal público de televisão, afirma o BE.
Há uma clara falta de profissionais, nas mais variadas áreas, que é colmatada com a acumulação de funções e de responsabilidades dos profissionais do quadro, sem que vejam a sua carreira e condições salariais revistas há vários anos, e também pelo recurso a um número cada vez maior de trabalhadores precários, que são pagos à hora ou por dia de trabalho, mas que exercem actividade profissional na RTP-M há vários anos. O mesmo se aplica à rádio pública.
Para além disso, a discriminação salarial entre os colegas do centro regional e os que operam nos grandes centros operacionais da televisão pública é gritante, para não falar da dupla discriminação entre homens e mulheres e da pressão e assédio laboral a que, muitas vezes, estão sujeitos, com consequências para a sua motivação e saúde mental, apontam os bloquistas.
O Bloco defende a importância do serviço público que é prestado pela RTP, que foi e é fundamental quer dentro do território quer na ligação que mantém com os emigrantes.
Também por isso, a aposta no reforço dos centros regionais e na produção própria, com financiamento adequado e autonomia são ponto chave no programa do Bloco de Esquerda, a par, naturalmente, da exigência de melhores condições remuneratórias para os profissionais que estão há anos na mesma categoria, com a agravante de, à custa da polivalência, virem acumulando cada vez mais funções. E porque o Estado tem de cumprir e fazer cumprir a lei laboral e os acordos da empresa, a vinculação dos profissionais precários afigura-se como algo da mais elementar justiça, defende o Bloco.
Como referido pelos representantes da Comissão de Trabalhadores, a “RTP só funciona à custa da dedicação dos seus profissionais”. Algo que, acrescenta o Bloco de Esquerda-Madeira, é uma realidade de vários sectores de actividade, públicos e privados, que urge ser revista em sede de código do Trabalho.
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