
O Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) está a promover um Encontro para docentes do 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico e Ensino Secundário. Um desafio da direção de Francisco Oliveira aos pares para refletirem num tema com uma pitada de provocação para agitar as consciências: “Do professor especialista ao professor canivete suíço”.

Ser professor hoje é abrir a porta a múltiplos desafios. A classe está bem consciente da complexidade da sua missão, acrescida de outras variáveis igualmente delicadas e desafiadoras da sociedade contemporânea. João Sousa, presidente da mesa da assembleia, abriu os trabalhos tocando na ferida dos docentes desencantados com as condições remuneratórias, alguns a regressarem já ao continente porque as compensações deixaram de ser aliciantes. Francisco Oliveira, o coordenador, lembrou que o Sindicato faz, por ano, mais de dois mil atendimentos a docentes, que tem a virtude de ter aprovado a Carta Ética dos Professores, da chancela de Isabel Batista, e aplaudiu a participações no Encontro de sindicalistas de todo o país, incluindo Açores.

Para refletir no tema central do Encontro e nos contextos de crise, o SPM convidou o Professor Doutor Almerindo Janela Afonso, doutorado em sociologia da educação e professor associado da Universidade do Minho há mais de três décadas. Na sua intervenção, este sociólogo, com muito conhecimento no terreno da realidade docente e da formação, defendeu que o professor não pode ser encarado como um missionário, como um funcionário público, mas como um profissional especialista. O termo “especialista” tem de ser bem entendido, como o conhecedor da sua área de estudos mas sempre com uma ponte para o mundo, ou seja, o docente que sabe relacionar a sua sala de aula com o mundo, no fundo, ter a capacidade de pensar de forma holística. Não é um profissional com um saber fragmentado ou douto, de jornal debaixo do braço, mas um intelectual crítico, com a capacidade de pensar de forma holística.


O sociólogo Almerindo Afonso desencoraja os docentes a quererem ser os D. Quixotes das escolas. Sozinhos nada conseguem. O apelo é formar grupos de profissionais críticos, com coragem cívica mas reforçada com os pares.
Sobre os contextos de crise, Almerindo Afonso elencou algumas nuvens cinzentas, designadamente o capitalismo que campeia e que ofusca a democracia, o aumento das desigualdades, a agenda global para a educação ( O PISA), uma espécie de cultura eurocêntrica que não valoriza as identidades e especificidades escolares, e a emergência de fundações como Belmiro Azevedo e Manuel dos Santos, com uma missão filantrópica, sem fins comerciais, mas com dividendos indiretos na máquina educativa.

No final da manhã, um painel de caráter sindical animou os trabalhos, com a partilha de dados sobre a carreira docente na Região.
Os trabalhos prosseguem esta tarde com temas diversos e mais específicos, como os horários docentes, a saúde psicológica dos profissionais e, neste sábado, será analisada e votada uma moção setorial. Tempo ainda para uma conferência de encerramento sobre “um novo paradigma de educação”, da chancela da Professora Doutora professora Doutora Jesus Maria Sousa.
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