Leia alguns aspetos curiosos do funcionamento das escolas em Sydney com regras apertadas para tudo

Connie Alves salienta o cumprimento de regras apertadas na escola. Fotos FN

Num diálogo franco e com evidente entusiasmo pelo ensino, Connie Alves e Tim Jones partilham alguns aspetos curiosos do ensino australiano que não têm réplica em Portugal.

O horário de trabalho é um ponto a merecer reflexão, bem como os estritos regulamentos a que toda a política e dinâmica escolar estão sujeitas. Desde logo, todos os professores, em Sydney, entram na escola pelas 08h35, e têm de estar meia hora antes. A saída é sempre às 15h15 e só o podem fazer meia hora depois, para todos os docentes sem exceção.

Outro dado novo diferenciador prende-se com o o facto de todos os professores não poderem sair da escola durante o horário de serviço, nem mesmo para comer fora. Alguns levam almoço, outros lancham na escola. Nos intervalos dialogam com os alunos. Todos sabem que, na Austrália, os professores são professores 27 horas (e não 24 hs) por dia. Uma forma irónica mas real de mostrar o espírito de serviço incondicional com que o professor abraça a sua profissão.  “Se eu estiver na praia sou na mesma professora. Os alunos não podem beber nem fumar junto aos professores. Em qualquer lado, vestimos sempre a camisola de professores”.

Os descontos nos vencimentos também seguem orientações muito rígidas. Os docentes que chegarem atrasados à escola sofrem descontos imediatos nos seus ordenados.

Tim Jones: a preocupação com a comunidade dos alunos é grande.

A comunicação da escola com os alunos só se faz por email profissional e o governo definiu regras muito estritas para que não haja relação pessoal ou informal entre alunos e professores. Se esta situação se altera, a diretora da escola deve reportar, pois as regras são muito apertadas.

A tecnologia também chegou às escolas. Os resultados não são tão animadores já que os alunos não leem como seria necessário. Leem muitas coisas mas sabem verdadeiramente pouco dos assunto, explica Connie Alves.

Na Austrália, os docentes também fazem greve, naturalmente para defender melhores salários. Mas, explica Tim Jones, o enfoque das manifestações é pela reivindicação de melhores condições para os alunos e famílias e não tanto a reivindicação de assuntos pessoais dos docentes.

Também o problema de falta de professores se faz sentir na Austrália, razão pela qual estão a pedir aos docentes reformados que voltem às escolas. É o caso de Tim Jones, que, reformado, é o conselheiro da diretora da sua escola, sendo uma mais-valia na gestão de conflitos.

A exclusividade é também exigida aos professores. A seleção dos professores é feita tendo por base uma entrevista alargada, ficando o docente em início de carreira um ano à experiência, mas depois fica “efetivo” ou no sistema para sempre. É algo impensável em Portugal quando se observa os professores em greve, pois, apesar de anos e anos de trabalho, ainda não estão vinculados a uma escola.

Os manuais digitais também alimentam controvérsias. Os mais velhos criticam e os docentes mais novos aplaudem, revela Connie. No entanto, estudos comprovam que o ato de escrever mais no papel  faz lembrar mais. O que é fundamental é, segundo Connie, preservar a relação entre alunos e professores; não há que ter medo do digital como ferramenta complementar do ensino.

Após o degustar do jantar australiano na bucólica moradia em João Frino, com a voz de Tim Jones e Luís Paixão a “animar a malta”, pudemos testemunhar que, verdadeiramente, sem paixão e entrega nada é possível em educação. Não se trata de mostrar um sistema perfeito, como o australiano, naturalmente com as suas debilidades e insuficiências. Mas Connie e Tim lembram que os professores e as direções minimizam os empolados rankings que nem sempre traduzem a realidade das escolas e dos alunos e procuram a essência: levar o aluno a apaixonar-se pelo saber como porta de acesso ao futuro.

 

 


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