A Iniciativa Liberal veio analisar o resultado da comissão parlamentar de inquérito às “obras inventadas”, para dizer que “foram ditas coisas muito graves” na dita comissão, mas que o modo como a mesma foi formada, bem como as audiências que se viram, “são a prova provada da promiscuidade de grupos económicos com o poder”.
“Luís Miguel de Sousa afirmou-se como um grande defensor do mercado aberto. Segundo o que disse, qualquer empresa pode agora exercer a sua actividade de operação portuária, bastando para isso ter o equipamento e os trabalhadores necessários. Isto como se o Porto do Caniçal estivesse feito para ter espaço para mais do que um operador. Que viria de onde? Com que equipamentos e pessoal? A pergunta que se deveria seguir era saber da operacionalidade das instalações se isso acontecesse. Foi feita? Claro que não”, diz a IL.
“Acrescentou que a margem de operação das suas empresas no porto tem de ser suficientemente baixa, para evitar o aparecimento de outro operador. Segundo o dono do Grupo Sousa “uma concessão não é um monopólio”. Numa breve lição de economês foi-nos explicado que um “monopólio é um regime fechado (…), faça o que eu fizer (…) ele tem de comprar ali. Ponto. Mercado aberto com uma única empresa, é mercado aberto, é concorrência. Porque ela está a concorrer consigo própria”. Sérgio Gonçalves deve concordar com isso. Não foi ele que disse que na Madeira não há monopólios?”, ironizam os liberais.
“Depois passou pela comissão Avelino Farinha, recorda a comissão coordenadora dos liberais.
“O dono do Grupo AFA, reclamou ter como principal cliente o Governo Regional, que não pagava a tempo e horas. “Na Madeira um madeirense com sucesso é um ladrão”. “Eu nunca fui pedir rigorosamente nada (…). Os assuntos de trabalho temos os nossos administradores, temos os nossos directores, que tratam disso”. Disse-o, após dizer que recebera nessa manhã um telefonema do Secretário dos Equipamentos e das Infraestruturas. O que o Sr. Avelino disse é que não suja as mãos, porque tem quem o faça por si”, conclui a IL.
“Estranhamente não foi feita nenhuma pergunta sobre as PPP’s rodoviárias, uma vez que o Grupo AFA é sócio do Governo Regional na Via Litoral e na Via Expresso. Outra citação: “desde sempre (…) o primeiro ano a seguir às eleições era para acabar as obras que tinham ficado por fazer. O segundo ano era para fazer projectos. O terceiro ano para arrancar as obras. O quarto ano para meter gás e inaugurar. Sempre foi assim”. Não há promiscuidade, mas o sistema é conhecido pelo empresário como ninguém”, refere-se no comunicado à imprensa.
“Das respostas de Albuquerque à Comissão não sabemos nada, mas Sérgio Marques reafirmou tudo o que disse na entrevista que desencadeou este processo. Não negou nada. Ficámos a saber que nem todos os documentos requeridos foram entregues. Não se ouviram todos os intervenientes que podiam, e deviam, ter sido ouvidos. Uma Comissão claramente manipulada do princípio até ao fim. Sem vergonha nenhuma”.
“Foi dito na Comissão que “somos todos amigos”. Ou seja, isto é tudo um forrobodó, um circo de amigos que fazem negócios. Está tudo ligado e controlado. Vivemos, na Madeira, num sistema político, social, económico perfeitamente controlado, que de democracia tem cada vez menos. Albuquerque chegou ao poder num momento de esperança de que muito mudasse. Não mudou nada. Continua tudo na mesma, senão pior, porque esta cópia de jardinismo é contrafacção, mal feita, do original”, lamenta a Iniciativa Liberal.
“A “primavera” albuquerquista foi de muito pouco. E já não se dão ao trabalho de disfarçar”, conclui.
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