Nelson Veríssimo lamenta capela de S. Paulo votada ao desprezo

foto Rui Marote (arquivo)
O historiador e académico Nelson Veríssimo, que tem sido um grande defensor da recuperação da capela de São Paulo, no Funchal, e que tem denunciado insistentemente a sua degradação no Funchal Notícias, onde é colaborador, estabelece hoje na sua página pessoal do Facebook uma comparação crítica entre este caso e o da réplica da Capela das Babosas, na freguesia do Monte.
Hoje será inaugurado, recorda, “um imóvel construído de raiz, pois o anterior foi destruído pela aluvião de 20 Fevereiro de 2010. Entretanto a Capela de São Paulo e o edifício do primeiro hospital da Madeira, que lhe fica adossado, da freguesia de São Pedro, que remontam ao século XV, encontram-se bastante arruinados”, lamenta.
Isto apesar de, por várias vezes, o Governo ter anunciado o restauro desta capela, imóvel classificado do Património Cultural, chegando o Orçamento da RAM dos últimos anos a incluir verbas para essa intervenção.
“Também a defunta Comissão dos 600 anos do Descobrimento do Porto Santo e da Madeira apregoou a recuperação da Capela de São Paulo. Mas, até agora, NADA.
Estranha-se esta dualidade de critérios”, denuncia.
A capela que hoje vai ser benzida no Monte, diz, “é uma réplica da que existiu. Recupera a memória do lugar. Como lugar de culto religioso terá pouco préstimo, pois há a Igreja Paroquial e uma capela no Cemitério. Além do mais, o número de fiéis é cada vez mais reduzido e envelhecido”, constata.
Nelson Veríssimo conclui que a Junta de Freguesia e a Paróquia do Monte empenharam-se na construção da réplica e convenceram o Governo Regional a conceder um apoio de 200 mil euros. Já a Junta de Freguesia de São Pedro e a Paróquia de São Pedro não demonstraram interesse público quanto à Capela de São Paulo, ou supostamente, nos corredores do poder não foram ouvidos.
“O povo do Monte tomou como “sinal” o facto da escultura de Nossa Senhora da Conceição não ter sido destruída pela aluvião e pretende homenageá-la. Neste tempo de predomínio de uma religiosidade popular, o intelectual São Paulo, fundador do Cristianismo, não é admirado pelo povo madeirense, porque não o lê e os clérigos não incentivam a sua leitura. A Senhora da Conceição é da devoção popular”, constata ainda o historiador.
“Apesar de residirem perto da Capela de São Paulo, os bispos do Funchal têm visitado mais o Monte do que o Largo de São Paulo, logo desconhecem o valor da Capela aqui existente”, lamenta. O mesmo, critica, aparenta passar-se com os governantes, que, tanto quanto saiba, nunca visitaram a capela de São Paulo.
“O Monte sempre foi fiel ao PSD e, em recompensa, tem a Capela do Largo das Babosas. O nosso Governo é muito devoto da Imaculada Conceição e, discretamente, fará desta Capela o seu templo de eleição”, conclui ainda Veríssimo, lamentando a dualidade de critérios.