JPP denuncia no Largo do Colégio os “apetites do betão”

O JPP denunciou na Praça do Município do Funchal os “apetites do betão”, queixando-se da intenção do executivo do Funchal de intervir naquele largo, também conhecido como “do Colégio”, criando estacionamentos subterrâneos. Existem intervenções que pela sua natureza deixam cicatrizes indeléveis no património da cidade, advertiu Leonardo Reis, porta-voz da iniciativa da concelhia do JPP no Funchal.

“A ideia de escavar uma das mais belas praças da cidade (Praça do Município acabada em 1942), para nela instalar inicialmente 1500 lugares de estacionamento, tendo sido reduzidos para 500 é, para além de financeiramente inviável, o contrário do que se quer para uma cidade moderna, que retirar do centro da cidade o máximo possível de viaturas”, refere este partido.

As intervenções previstas para a praça do Município obrigam a parecer da Direcção Regional da Cultura e escavações arqueológicas, sustenta o JPP. Rodeada de edifícios históricos, como a Igreja do Colégio, Colégio do Jesuítas, Museu de Arte Sacra e Edifício da Câmara, esta intervenção terá de garantir a salvaguarda da integridade estrutural dos mesmos, terá muito provavelmente de lidar com a remoção constantemente de água e irá causar o caos no trânsito do Funchal durante anos.

O JPP Funchal questiona-se, portanto, sobre o que está por detrás deste súbito interesse para estas obras naquela que é mais icónica praça da cidade do Funchal. “Será um estacionamento com gestão pública (camarária) ou mais um a entregar a privados para explorar com preços semelhantes aos do estacionamento do Hospital Dr. Nélio Mendonça? Se assim for os lugares serão todos eles acessíveis ao público, ou será mais um estacionamento como o da Praça Cristóvão Colombo, ou mais conhecida como Praça Amarela que os funchalenses nem podem utilizar, com muitos dos lugares vazios e/ou a servir grandes grupos empresariais?”, interroga-se.

“A vox populi relaciona este investimento com a vontade de avançar com um projecto hoteleiro no Palácio da Torre Bela, na posse da empresa Beazley e Fernandes, Lda., em que um grande grupo económico regional tem interesses. O edifício foi classificado de interesse público desde 29 de Setembro de 1948. O edifício, de bela traça, seria um belo investimento turístico, no entanto não tem lugares de estacionamento. Para ser viabilizado, para além dos pareceres da DRC, é fundamental ter os lugares de estacionamento que sirvam o empreendimento. O que é certo é que existe um procedimento de licenciamento para a alteração do interior de um espaço comercial no mesmo edifício, em que o mesmo grupo empresarial também tem interesses”, aponta o “Juntos pelo Povo”.

“Independentemente da legítima e louvável iniciativa privada, a Praça do Município faz parte da memória histórica dos funchalenses, assinada por dois conceituados grandes da arquitetura portuguesa, nomeadamente Francisco Caldeira Cabral e Raúl Lino. Intervir aqui criará ruido visual e acústico que inevitavelmente afastará madeirenses e turistas, que nos visitam, da fruição de uma das zonas nobres da cidade”, considera a concelhia do Funchal do JPP, que se diz não contrária à iniciativa privada, “muito menos quando a mesma visa dar vida a um edifício que merece e precisa de ser reabilitado; o que não queremos é que os impostos dos funchalenses, madeirenses e portugueses sirvam uma vez mais apenas os interesses de poucos, mas poderosos, em prejuízo de muitos e privados de todos os factos”.

A concelhia do Funchal do JPP aponta ainda que os carros têm de ser afastados do centro da cidade, ficando estacionados nos arredores da cidade, e que têm de ser criados transportes gratuitos, não poluentes, rápidos que liguem toda a baixa funchalense, tal como era intenção de Miguel Albuquerque, que candidatou o Funchal a inúmeros projectos com fundos comunitários (já com mais de 10 anos de candidatura).

O que o JPP diz não entender é a visão tão divergente entre dois governantes da mesma cor política (um dos dois está claramente errado e no entender do JPP a estratégia actual de Pedro Calado é lesiva para os interesses atuais e futuros dos funchalenses).

Leonardo Reis deu como exemplos a Rua da Carreira e a Rua Fernão Ornelas, que demonstram bem como a ausência de carros beneficia o comércio local.