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O embaixador russo nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia (um bom “vasilha torta”, como diria a minha saudosa avó), para quem a mentira é tão natural quanto a transpiração, “jurou a pés juntos” numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, procurando negar como Judas as acusações de tortura e morte de civis em Bucha, que “nem um único residente de Bucha sofreu qualquer violência às mãos dos russos”. Pior ainda, classificou” as imagens de cadáveres nas ruas e valas comuns como uma “encenação”. O próprio “vasilha torta”, como modelo que é de “encenador” putinófilo, declarou que tudo “Foi encenado. (…) uma falsa narrativa apresentada por Kiev”. Tal e qual, “Nem um único residente de Bucha sofreu qualquer violência às mãos dos russos”, acrescentou o embaixador “voz do dono”. Por cá, o também negacionista camarada Jerónimo de Sousa, “portanto”, a fazer lembrar o camarada Cunhal, “portanto”, “Olhe que não. Olhe que não”, “portanto”, seguiu a cartilha do embaixador russo “Mentirófilo” na ONU. Com este espírito de jumenta coerência, como poderia o PCP não estar contra a audição de Zelensky na Assembleia da República? Ora, segundo Paula Santos, líder parlamentar do PCP, Zelensky na Assembleia da República “não vai ao encontro do objetivo de defender a paz, de procurar uma solução negociada”. Muito pelo contrário. Pode mesmo contribuir para a “escalada” do conflito. Tem piada! Ocorreu-me neste preciso instante que a palavra “conflito” até faz “pandã” com o discurso politicamente correto do Kremlin da “intervenção militar especial”, “libertação” ou “nazificação da Ucrânia!!! Terá a deputada Paula Santos receio de apanhar um ano de prisão reservada por Putin a quem disser as palavras proibidas, na qual também se inclui “conflito”? Vá que o PCP pede uma solução negociada! Numa palavra, rendição. Daquelas de pistola apontada à cabeça. Admirável! Afinal, o PCP português é também porta-voz do Kremlin e das negociações de paz entre “homens de boa vontade” como o carniceiro Putin, o sanguinário Lavrov ou o viperino Peskov? De resto, e quanto a avanços nas negociações, do lado russo, todos os dias é Dia das Petas. Senão vejamos, com reiteradas e vazias promessas de pacificação, todos os dias há notícia de corredores humanitários bloqueados ou de refugiados ucranianos desviados para território russo. Comuns são também ataques a hospitais, escolas, Cruz Vermelha, jornalistas, torturas, violações, assassinatos civis, massacres, escalando a prática dos mais bárbaros crimes de guerra. Que dizer, pois, da coerência (e coerência aqui não significa estar certo) da linha oficial do PCP na condenação da invasão da Ucrânia? No mínimo, da idade das trevas. Por um lado, apresenta o seu voto de solidariedade para com as vítimas. Por outro, recusa-se a condenar os agressores. A esta luz (queimada), será que as vítimas são os agressores russos, sendo que os ucranianos são os agressores? Em que ficamos, jerónimianos/putinianos? Não precisam de responder. Poupem-se a esse trabalho inútil de tapar a careca com perucas coladas com milho de joeira em dia de vendaval. Afinal, o argumentário absolutamente enviesado e esdrúxulo da direção do PCP é muito, mas muito simples: não condena a guerra, mas defende a paz. Estamos conversados, “portanto”, como diria Jerónimo! Recordando o camarada Cunhal: “A URSS é o Sol da Terra”, “portanto”. Talvez seja oportuno lembrar à direção do (PCP), atual Partido Comunista Putinista, que, desde o início da ofensiva russa, a 24 de fevereiro, o Presidente ucraniano já discursou em vários parlamentos, do Reino Unido a Itália, passando pelos Estados Unidos, Espanha, Dinamarca, Israel, Alemanha, França, Suécia, Roménia, Japão, entre outros países, assim como se dirigiu às Nações Unidas e ao Parlamento Europeu. A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.
Se é verdade que deveriam ter sido condenados os crimes de guerra no Afeganistão e no Iraque, e não menos certo que há muitos “esqueletos no armário” dos governantes ocidentais e norte-americanos, é igualmente indiscutível que a posição da linha diretiva do PCP não consegue esconder as suas ridículas cambalhotas e piruetas negacionistas, próprias de um partido fossilizado, com prazo de validade claramente esgotado, “portanto”. Iniludivelmente, a cegueira, as teias de aranha, a entorse política e ideológica são tão extremas que a cúpula do partido só vê culpados naqueles que não são diretamente intervenientes nesta barbárie imperialista/czarista russa, designadamente os Estados Unidos e a Nato, ruminando bovinamente na tese “terraplanista” de que as sanções e a postura do ocidente têm sido contrárias à defesa da paz. Ou seja, para o PCP não há certo nem errado. Não há invasor nem invadido. Não há agressor nem agredido. Há, isso sim, países que querem aproveitar-se desta “libertação” da Ucrânia para escaladas de confrontação e corridas ao armamento.
É claro que o Ocidente tem muitas responsabilidades, inclusivamente na criação e promoção deste monstruoso ditador que é Putin, criminoso de guerra desde 1999, que, graças à indiferença ou mesmo ao apoio do mundo livre que levou à queda da União Soviética, acabou com a experiência democrática na Rússia. Inequivocamente, a liderança assassina de Putin não é apenas uma autocracia. Sem eufemismos imbecis, muito em voga, trata-se de uma monstruosa ditadura com sérios riscos para o mundo livre, para a democracia e valores ocidentais.
O posicionamento recorrente do PCP de não condenação desta invasão, desta guerra, deste genocídio, ou o facto de estar sozinho na decisão de votar contrariamente à audição de Zelensky no Parlamento, resultam objetivamente da sua incapacidade de admitir que há situações que não são matéria de opinião, são matéria de facto.
Como tal, a posição “orgulhosamente sós” da direção do PCP leva, inevitavelmente, a concluir que o partido parou no tempo, desligado da História, caquético, jurássico, isolado, enquanto vai escrevendo a sua própria “Crónica de uma morte anunciada”.
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