“Confiança” acusa executivo da CMF de má gestão e de “amordaçar a democracia”

A proposta da coligação Confiança para manter as comemorações do 25 de Abril no Funchal foi hoje chumbada em reunião de câmara com os votos contra da maioria PSD/CDS. Com esta decisão, pela primeira vez desde 2013, deixará de ser promovida uma sessão solene comemorativa da data, permitindo o uso da palavra a todos os representantes dos partidos políticos e coligações com assento na Assembleia Municipal, cancelando também o já emblemático concerto na Praça do Município aberto a toda a população, diz a oposição ao executivo de Pedro Calado.

“Numa altura em que, a nível global, europeu e também local, os valores da democracia não devem ser assumidos como garantidos, e com tantas pessoas a lutar para evitar retrocessos nas liberdades individuais e colectivas, é fundamental valorizar e preservar o legado que recebemos”, refere a vereadora Cláudia Dias Ferreira, acrescentando que “o chumbo desta proposta representa uma tentativa de esterilização dos valores democráticos, substituindo-os por um condicionamento à liberdade de expressão”.

Na ordem de trabalhos foi aprovado por unanimidade a suspensão do mandato da vereadora do CDS, sendo substituída no executivo. Num período em que se discute a possibilidade de mais alterações ao executivo municipal para prosseguir outros percursos políticos, consideramos importante que o compromisso que se estabeleceu pelo voto seja mantido por todos os intervenientes.

A Confiança reitera que não abandona o Funchal e repudia a utilização da Câmara Municipal como “paragem de autocarro” para objectivos políticos pessoais.

Foi ainda aprovado, com a abstenção da Confiança, mais um adiamento do prazo de conclusão da obra do Matadouro do Funchal, contrariando as palavras proferidas pelo actual presidente da autarquia. Este atraso fará com que este novo equipamento cultural lançado pela Confiança seja entregue à cidade apenas do dia 24 de Junho de 2022.

No Período Antes da Ordem do Dia (PAOD) foram ainda abordados os seguintes assuntos:

  • Questões colocadas por munícipes sobre cortes que têm sido aplicados ao Subsídio Municipal de Arrendamento e à arbitrariedade na aplicação dos apoios às rendas aos comerciantes do Mercado dos Lavradores aprovados no ano passado.
  • Ficando o concurso da ETAR deserto foi questionado o vereador com o pelouro sobre a metodologia utilizada para determinar o aumento do valor base em 7 milhões de euro, ou seja, superior a 50% do valor inicial estimado para a obra.

Houve ainda tempo para efectuar uma visita à conclusão das obras de promoção da “22mobilidade suave” em curso na estrada Monumental. Um investimento lançado em 2020, superior a 1 milhão de euros e financiando por fundos comunitários, que contempla uma ecovia e várias intervenções a nível de passeios e faixas pedonais.

“Lamentavelmente, o actual executivo já lançou um concurso por 150 mil euros para destruir parcialmente o que hoje irá inaugurar, numa demonstração de má aplicação de dinheiros públicos e que a Confiança irá denunciar às entidades competentes”, promete.