Estepilha: o cisma papal do CDS-Madeira

Rui Marote
Prometemos um interregno nos assuntos centristas mas este Estepilha é um buzinão a três meses do Congresso anunciado, que terá lugar no Savoy Palace.
Os centristas madeirenses vão continuar a ser comandados por uma presidência bicéfala!?
Estepilha, são dois “papas” um emérito instalado no “castelo” da Assembleia e outro no Vaticano da Quinta Vila Passos. O cisma dos presidentes é uma história de conflitos e fragmentações que tem originado uma debandada de militantes centristas. Porém a eleição do último conclave fez sair uma liderança de dois “papas”, não faltando cardeais dissidentes de outros partidos a bufar fumo branco que não passa de  negro em busca de novas fontes de lucro e a se envolverem no aparelho do partido. O fim deste cisma não está previsto neste congresso…
Em 2018 rabisquei um destes arrazoados inofensivos, porque a vida muito a sério é uma maçada dos diabos. Falava já na altura no espanto que era a liderança bicéfala com que o CDS resolveu fazer política. Desde então, Rui Barreto continua a ser o líder do partido e José Manuel Rodrigues o presidente. Complicado? Só para quem gosta mesmo de complicar. Tudo muito claro, e o que vimos nestes últimos quatro anos da novíssima experiência regional esclareceram quem pudesse ainda andar com dúvidas.

Dizem que não há como um bom início para deixar uma excelente marca. E foi isso que José Manuel Rodrigues fez. Com a distância do tempo, sabe-se hoje que Rui Barreto contentava-se com uma única secretaria regional com que o tarimbado PSD o queria atrair para assinar o acordo de coligação governativa regional.

Só que José Manuel Rodrigues, que joga na “Champions League” há muitos anos, não foi no jogo do recém-chegado à “Promoção”, que era na Madeira, nos anos 60 e 70, onde jogavam os que não tinham lugar na Primeira Divisão Regional, e mostrou ao PSD quem era o verdadeiro líder do CDS.

Daí até à Presidência da Assembleia Regional foi apenas uma questão de dias, assumindo o lugar no cadeirão de Primeira Figura da Autonomia Regional.

É ao olhar para esse cadeirão que muitos “olheiros” da política dizem que o “Zé Manel”, para os amigos, está “a fazer um trabalho fantástico”, de fazer dores de cotovelo ao PSD, mas com isso também tem ofuscado a liderança do Barreto e se afirmado, mais uma vez, como o verdadeiro líder do CDS.

O CDS anunciou que ia para Congresso Regional em Junho. É de dar graças a Deus! Já não era sem tempo. Rui Barreto foi eleito por três anos, mas completa em Julho quatro anos de mandato. Fomos ver as estatísticas regionais e nenhum partido, com pandemia ou sem pandemia, com constipações ou obstipações, tem recorde igual.

Depois dessa reunião magna de 2018, Rui Barreto garantiu a “pés juntos”, numa entrevista ao Funchal Notícias, que não existia “qualquer liderança bicéfala”.  Também dizia que só sabia “fazer política de proximidade”, mas há militantes a jurar que só o conhecem pelas fotografias.

Garantia ainda que o CDS “não podia desperdiçar os seus melhores quadros”, mas nunca como agora o CDS se pareceu tanto com “o clube de alguns amigos”.