Marina do Funchal, “um embrulho atado com barbante”

 

Rui Marote
O nosso título é, para nós, a citação do dia: As palavras dos velhos lobos do mar devem em silêncio ser ouvidas, “mais do que o clamor do que domina sobre os tolos”, parafraseando a Bíblia.
A panela de pressão da paciência dos utentes da velha marina está prestes a explodir. Hoje exclamava um octogenário que reforçava as amarras de um pequeno barco dos netos. “Ninguém nos ouve. Até quando…? A previsão para amanhã é o tempo piorar: estes “fingers vão resistir?”
“Alargaram a entrada da marina numa das anteriores administrações e o resultado está aí”.
Anunciam-se, entretanto, melhoramentos em restaurantes e arredores. Ora, Marina sem barcos não existe. As obras terão de ser pensadas, prioridades estabelecidas imediatamente, “senão transformam isto num cemitério de tábuas flutuantes”, dizia-nos.
Alguns iates já abandonaram a marina recorrendo a doca seca debaixo do aeroporto e outros foram para o estaleiro de Câmara de Lobos, continuando a pagar o espaço na marina.
Hoje efectuámos uma revista “sem corneteiro nem oficial de dia” aos velhos pontões (fingers) atados com cintas para suportar a ondulação. Até as portas de acesso parecem um autêntico embrulho de antigas mercearias atado com barbante.
Diz o ditado: Santos da casa não fazem milagres. Estivemos na rampa de São Lázaro. Os pescadores em terra estão vigilantes, enquanto a lancha dos pilotos Valério de Andrade, acostada com as bordas danificadas (ver imagem) vai resistindo. Os pneus que fazem de defensa são velhos e durante a noite a vigilância não existe.
Se os Portos não tomam conta do que lhes pertence, como podem estar vigilantes aos “estranhos”?
Assistimos à entrada do navio de cruzeiro da Tui, “Marella Explorer, vindo de Fuerteventura e seguindo para Porto do Rosário que atracou com êxito, sem ajuda de rebocador. Tem saída agendada para as 22 horas.

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