Estepilha: a “milagrosa” pílula antiviral contra a Covid-19

Rui Marote
Esqueçam: durante um bom tempo, o Mundo não fará marcha atrás nas medidas  impostas aos cidadãos. A ciência avança, é verdade… e os laboratórios contabilizam. Uma terceira dose está em curso; e em breve virá a pílula antiviral já anunciada pela Merck, pela Pfizer e etc. Esta da pílula recordou ao Estepilha uma das suas histórias verdadeiras armazenadas no seu “disco rígido”.
Recordam-se da ourivesaria Symphrónio, que encerrou há mais de duas décadas na Rua do Aljube? O seu proprietário, Sr. Pedro Ferraz era também um excelente retratista que desenhou grandes figuras políticas e religiosas da Madeira. Era um homem que visitava anualmente feiras ligadas à comercialização de joalharia. Certo dia, de partida para a Suíça, com a finalidade de visitar um evento do género, Pedro Ferraz, acompanhado da esposa, quase não tinha forças para subir a escada do avião, acometido de uma forte gripe.
Ao chegar a Genebra, de imediato recolheu ao hotel e chamou um médico. Foi observado e foi-lhe administrada uma injecção. O médico deixou três pastilhas para tomar uma de cada vez, diariamente, recomendou que não o queria na cama durante o dia nem a usar agasalhos. Só à noite, em caso de saída.
Depois da injeção e de uma pílula, Pedro Ferraz sentiu-se como novo. Fez o tratamento até ao fim e ao terceiro dia já subia escadas a correr.
Na recepção do hotel, pediu o endereço do médico, uma vez que queria agradecer-lhe. Dirigiu-se ao seu consultório e foi recebido. Depois dos agradecimentos, pediu ao médico que lhe emitisse uma receita do frasquinho das pastilhas milagrosas para trazer para a Madeira.
O médico suíço levantou-se, pegou no braço do paciente e levou-o até à porta do consultório com as seguintes palavras:- “Isto não é supermercado. Rua!” Pedro Ferraz ficou atrapalhado e pediu imensos “Excuse me, I’m sorry… I’m sorry”…
O órgão regulador de medicamentos britânico anunciou na passada quinta-feira que aprovou uma pílula antiviral contra a Covid-19, tornando-se o primeiro país a liberar o tratamento por via oral e com a intenção de que seja usado o mais rapidamente possível após um diagnóstico da doença e cinco dias após o início  dos sintomas. Em breve esse medicamento estará também nas nossas farmácias.
Há sempre quem queira saber mais que o doutor. Quando alguém manifestava sintomas de gripe, as pessoas recomendavam-se umas às outras o tratamento, não sabendo distinguir um resfriado de uma gripe. Ataca isso com Brufen ou Cêgripe, é eficaz… Outros adoptavam receitas caseiras, o cházinho e os rebuçados de funcho, outros a poncha, e quando tudo isto dava para o torto recorriam ao médico já com uma pneumonia.
Nós não somos médicos. Há regras e o povo português aceita mal continuar a usar máscara, desinfectar as mãos e manter as distâncias. Mas há um ditado que diz que quem te avisa teu amigo é. E realmente é melhor tomar cuidado, com a Covid-19.
Há mais de 20 anos visitei a cidade de Tóquio. No transporte de táxi da estação de autocarros para hotel, o motorista estava de máscara e não era permitido a ninguém viajar ao seu lado. Conclusão: o motorista estava resfriado, e eu estranhei achando que na altura apenas quem devia usar máscara eram os médicos do bloco operatório.
Há mais de duas décadas era impensável vermo-nos uns aos outros munidos de uma máscara obrigatória, Estepilha…