Mostra dedicada a Anjos Teixeira no “Baltazar Dias” foi visitada por 500 pessoas

Ao longo de 65 dias, mais exactamente entre 17 de Junho e 20 de Agosto, esteve patente no Salão Nobre do Teatro Municipal Baltazar Dias uma exposição, constituída por 30 peças, com o intuito de homenagear o mestre Anjos Teixeira. Esta mostra artística surgiu por iniciativa do fotógrafo David Francisco, que criou este projecto expositivo fotográfico, e que resultou de uma parceria entre a Galeria Anjos Teixeira e a Câmara Municipal do Funchal.

Nesta mostra estiveram expostas algumas peças recolhidas pelo fotógrafo David Francisco, desde pinturas e medalhas, recolha esta feita junto de quem privou com o escultor enquanto este se encontrava a viver na ilha da Madeira, refere uma nota de imprensa. A exposição contou com a presença de quase cinco centenas de visitantes.

Pedro dos Anjos Teixeira nasceu em Paris no ano de 1908. É filho do escultor Artur Gaspar dos Anjos Teixeira e frequentou, desde cedo, o atelier, crescendo no meio artístico. Veio para Portugal com seis anos de idade, mais precisamente para Sintra. Aos 16 anos iniciou o trabalho em Lisboa junto do pai e mentor.

Integrou o curso Superior de Belas Artes na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, e mais tarde frequentou Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa entre 1952 e 1955.

O seu percurso como pedagogo passa pelo ensino de Modelação, Cantaria e Desenho, na Escola Artística António Arroio. Em 1959 iniciou-se como docente convidado de Escultura na Academia de Música e Belas Artes da Madeira (AMBAM), leccionando ainda Anatomia Humana e Comparada, Caracterologia e Desenho, da qual, anos mais tarde, tornou-se director da secção de Belas Artes. Atingiu o limite de idade para a docência, mas continuou por dedicação a colaborar no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira (ISAPM) de onde tinha sido director.

As suas obras podem ser observadas por toda a Madeira, assim como por Portugal continental e pelo estrangeiro. Encontra-se representado no Museu de Arte Contemporânea em Lisboa, no Museu de Tomar, no Museu de Guarda, no Museu José Malhoa e no Museu da Figueira da Foz.

 A sua qualidade artística valeu-lhe diversos prémios, tais como a Medalha de Honra da Sociedade Nacional de Belas Artes, Prémio Rocha Cabral da Academia de Belas Artes de Lisboa e o Prémio Soares dos Reis.

A música fez parte da sua actividade artística, sendo membro e dinamizador da Orquestra de Câmara da Madeira e crítico musical no Diário de Notícias.

Ao regressar a Sintra é-lhe cedido um espaço pela Câmara Municipal, para acolher o seu espólio, algumas peças do pai e de colegas. Faleceu em Sintra no ano de 1997, deixando grande parte do seu legado à cidade.