Sonhos não concretizados de quem governa: aquário em São Lázaro…

Rui Marote
O Funchal Noticias recorda e localiza hoje um sonho que esteve projectado mas não se concretizou.
Na política os líderes tem sonhos que anunciam mas depois não se realizam.
A Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento, uma das várias criadas pela vice-presidência de João Cunha e Silva, chegou anunciar a construção de um aquário, para onde hoje se encontra a rampa de São Lázaro.
O projecto chegou a estar feito e até foi discutido por um júri, mas não passou do papel. O presidente da sociedade era então o engº Pedro Ferreira, que construiu o edifício, estacionamentos e zona da Praça do Mar junto ao actual cais norte.
O que hoje chamamos de “calçadão” esteve envolvido em polémica com a edilidade funchalense: a Câmara não foi ouvida nem achada e o Governo Regional acabou por regionalizar toda a Avenida do Mar.
Toda aquela área esteve envolvida em polémica, ate com os Portos, como é o caso do edifício da Praça do Mar, actual CR7, chegando as obras a estarem suspensa por poucos dias.
Falando no Aquário, o mesmo deveria ter no seu exterior um parque de pássaros. Na altura aquela área era um autêntico estaleiro de sucata de barcos, o que fazia daquele espaço um lamentável “cemitério” de embarcações.
A Sociedade Metropolitana tinha que remover todo aquele “lixo” e algumas embarcações para os estaleiros do Porto Novo. Tal não foi tarefa fácil, com datas e prazos para a sua remoção, a que os proprietários faziam orelhas moucas, sempre adiando.
Talvez tenha sido esse obstáculo uma das forças de bloqueio. Entretanto, o presidente do Porto Moniz, que tinha também projectado um aquário, “encheu” a cabeça do presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, para que o projecto não avançasse, e que os eventos não estivessem concentrados no Funchal uma vez que queria anunciar essa infraestrutura no caderno eleitoral daquela cidade do norte.
O braço de ferro para remoção das embarcações no cais, entretanto, continuou por largos meses sendo uma pedra no “sapato” da Sociedade. Toda a área de São Lázaro acabou por ser inaugurada  durante os primeiros meses do governo de Miguel Albuquerque.
Muitas das obras das sociedades eram para se fazer e não olhar a burocracias. Hoje ainda se encontram por registar o edifício e as áreas circundantes, incluindo as garagens. Só agora a topografia começou a ser feita.
Na área do Funchal torna-se fácil porque tudo está sob alçada do Governo. O mesmo não se passa, por exemplo, em Machico, no Fórum que o governo fez: uma espécie de “filho” em barriga alheia, uma vez que o edifício esta implantado em terrenos da Câmara, sendo outra parte do Governo.
Recordamos na altura que a Câmara era PSD. Hoje assim não sucede e tudo o que estava planeado mergulha num incumprimento sem registos.
Santa Cruz enferma da mesma doença, com os terrenos onde foi implantado o Aquaparque principalmente junto à ponte na área de São Pedro, onde esteve para ser construído um hotel cujos empreendedores eram emigrantes venezuelanos, donos dos terrenos onde chegou a ser lançada a primeira pedra.
Aqui ficam para a memória apontamentos de episódios que se irão arrastar sem concretização à vista.