CMF pretende levar o 25 de Abril “à casa dos madeirenses”

A CMF pretende assinalar o 47.º aniversário da Revolução do 25 de Abril de 1974 com um programa feito para chegar a toda a população. Apesar da pandemia, a edilidade funchalense vai voltar a realizar transmissões culturais em directo nas redes sociais.

No dia 24 de abril à noite, decorrerá o concerto comemorativo da Revolução dos Cravos, não com a Praça do Município cheia mas em directo a partir dos Paços do Concelho do Funchal, via facebook. O momento musical será sucedido, também com transmissão nas redes sociais, por duas intervenções artísticas, uma em directo do átrio da CMF e outra a partir do Teatro Municipal Baltazar Dias.

No dia 24 de abril, pelas 21 horas, o jardim interior dos Paços do Concelho do Funchal será palco de um concerto de Alexandra Barbosa, que será acompanhada por Duarte Pereira, que tocará cajón, e Beto Madeira, que tocará guitarra. O espetáculo deverá reunir um repertório de músicas de intervenção e de músicas originais da vocalista.

A acompanhar o momento musical, a autarquia preparou ainda uma intervenção artística com três actrizes, nomeadamente Sara Cíntia, Laura Aguilar e Isabel Martins, que declamarão poemas de várias escritoras portuguesas conhecidas pela sua luta pela liberdade, tendo como tema a Revolução do 25 de Abril. O evento terá como mote ‘Mulheres de Abril, a cantar Abril, em Abril’, numa alusão ao projeto ‘Mulheres de Abril’, iniciado em 2018, que compila relatos, na primeira pessoa, de mulheres antifascistas, a respeito da sua história de resistência e de luta contra a ditadura.

Por fim, às 00h do dia 25 de Abril, a autarquia começará a transmitir a outra intervenção artística preparada para assinalar a data, desta feita com a Associação Grupo de Amigos do Teatro, em co-produção com o Teatro Municipal Baltazar Dias. A peça, que também chegará a casa dos funchalenses através do facebook oficial da CMF, chama-se “D’A Noite à madrugada”, e decorre de uma adaptação e dramaturgia de Sandro Nóbrega, a partir do texto “A Noite”, de José Saramago.

“A Noite”, publicada em 1979, foi a primeira obra dramática de Saramago, e retrata justamente os episódios dessa noite que ficou para a História: de 24 para 25 de Abril de 1974, sendo que a acção passa-se na redacção de um jornal em Lisboa.

“Num movimento intertextual com o texto dramático de Saramago, acompanhado de poemas e músicas de intervenção, será prestada uma homenagem ao autor e a muitos poetas e músicos que foram uma parte integrante da Revolução que erigiu o Portugal moderno, que aquela geração começou a construir”, reza um comunicado da CMF.