Prossegue o arrombamento de prédios devolutos no Funchal

Rui Marote

Prossegue no Funchal o já habitual arrombamento e entradas ilegais em prédios devolutos, protagonizadas por vários denominados “sem-abrigo da cidade. Nem o recolher obrigatório decretado pelo Governo Regional impede a estas pessoas a livre circulação, a altas horas da madrugada e em locais que não lhes pertencem, sem que nada lhes aconteça.
A rua Serpa Pinto, junto à Rotunda do Infante, nos últimos meses tem sido o albergue dos que proliferam a cidade de madrugada. Esta artéria, que tem mais de 80% dos seus edifícios devolutos em estado degradação abandonados pelos seus proprietários, consubstancia um autentico barril de pólvora numa zona histórica do Funchal, oferecendo sério risco de incêndio. A 8 de Julho alertámos e recentemente a 22 de Dezembro do ano transacto, uma antiga padaria-pastelaria foi invadida. Esta noite foi a vez da porta 35.

O nosso alerta nesta quadra natalícia traduziu-se apenas no esquecimento. Fomos os primeiros a alertar para uma situação degradante de ocupação da muralha de São Filipe por um sem-abrigo que, apesar de a CMF lhe ter oferecido um quarto, persistiu em montar ali um verdadeiro “acampamento”. Depois de várias reportagens denunciando o absurdo da persistência do hóspede clandestino na muralha de São Filipe, a solução “despejo” lá finalmente chegou. Agora a moda dos ditos “sem-abrigo”, vários dos quais não têm pejo em assaltar casas, é também arrombar e ocupar os antigos prédios, colocando em perigo os quarteirões de uma cidade que é a terceira do país. Tudo porque não querem sujeitar-se às regras dos albergues disponíveis para passarem a noite.
Entretanto a Polícia não parece reparar em nada disto, a recordar-nos a canção muito popular dos finais dos anos 50, “Olha o Polícia”, de Maria José Valério: “Ó passa agora, pois se não passa”…