Morreu o historiador madeirense João José Abreu de Sousa

Uma das suas obras mais importantes

Faleceu hoje o historiador madeirense João José Abreu de Sousa, considerado por alguns o “decano” dos historiadores locais. Nascido em 1937, colaborou, ao longo da sua vida, na plétora de publicações de cariz cultural que foram surgindo ao longo dos anos, acompanhando o devir da cultura e das artes; “Das Artes e da História da Madeira”, “Islenha”, “Girão”, “Atlântico”… Foi também autor de múltiplas obras, como “O Movimento do Porto do Funchal e a conjuntura da Madeira de 1727 a 1810” (Funchal, 1989),  “O Convento de Santa Clara do Funchal” (Funchal, 1991), “História Rural da Madeira” (Funchal, 1994), entre outras publicações realizadas, como “O bolo de mel: ex-libris da doçaria madeirense” (2008)  ou “Os capitães do Porto Santo : uma árvore de costados dos Perestrelos portugueses”. Várias das suas obras foram editadas pela Direcção Regional dos Assuntos Culturais (DRAC), hoje Direcção Regional de Cultura. Foi o primeiro Mestre pela Universidade da Madeira, com a dissertação ‘A Revolução Liberal na Madeira’ (1999) e era considerado um professor, investigador e historiador com obra amplamente reconhecida na historiografia regional e nacional.

Era irmão do escultor Amândio de Sousa. E um grande interessado na gastronomia e na doçaria conventual. Neste último aspecto, esteve ligado a um grupo de entusiastas da Região por este tipo de assuntos, entre os quais pontificava também o poeta e advogado João Dionísio, que nos alertou ainda para um outro aspecto: entre muitas outras coisas, João José Abreu de Sousa é também autor de um romance, intitulado “A baba do mar” e assinado com o pseudónimo José Lino. Por outro lado, e entre trabalhos ensaísticos, contam-se também “A essência do poder” e “Re pública de Cícero”.

João José Abreu de Sousa é descrito por familiares e por todos os que com ele privaram como um homem muito discreto e esquivo, pouco amigo de dar nas vistas. Tanto assim é que, por mais que nos esforçássemos entre amigos e familiares, não conseguimos encontrar uma única fotografia dele em tempo útil para ilustrar este artigo sobre o seu falecimento. O melhor que conseguimos foi uma assinatura sua, de mensagens que deixava a amigos.