Padre do Porto Santo propõe ao Bispo elevação da Capela da Graça a Santuário Diocesano

O Pe. Hugo Gomes. Foto Funchal Notícias.

A Capela de Nossa Senhora da Graça, datada do séc. XVI, está intimamente ligada à história da ilha do Porto Santo.

Ali se refugiaram muitos dos habitantes para escapar à perseguição dos piratas e os antigos carreireiros tinham na Senhora da Graça a sua proteção. Antes, a missa do dia de todos os santos era sempre na Capela da Graça, ainda hoje, as primeiras missas do ano são na Capela da Graça.

É na capela da Graça que todos os anos se celebra um dos maiores arraiais da ilha do Porto Santo, a 15 de Agosto, precisamente em honra de Nossa Senhora da Graça, uma das sete Senhoras.

A ermida é um dos mais antigos templos construídos na ilha do Porto Santo, antes de 1533.

Reza a lenda que a imagem da Senhora da Graça era trazida para a igreja matriz mas “teimava” em aparecer misteioramente naquele local ermo.

A primitiva capela foi destruída no ano de 1812 (restam ruínas) e foi reconstruída, no atual local, em 1951, no episcopado do bispo D. António Pereira Ribeiro, sendo pároco do Porto Santo o Pe. Silvano.

De resto, dizia-se que se a capela não fosse reconstruída, o Porto Santo não era abençoado com as chuvas que tanta falta fazem.

Ora, atento à história e à devoção do povo do Porto Santo a Nossa Senhora da Graça, o padre Hugo Gomes propôs ao bispo do Funchal, D. Nuno Brás a elevação da capela a Santuário Diocesano.

A ideia, conforme explicou ao Funchal Notícias, é dotar o Porto Santo de um santuiário, que atualmente não tem, e, assim, evitar que muitos portossantenses tenham de deslocar-se à Madeira ou ao continente para cumprir promessas em santuários.

O sacerdote está no Porto Santo há um ano e verificou que a capela é “um grande lugar de devoção”. Não havendo nenhum santuário na ilha, formalizou ao Prelado Diocesnao a elevação da Capela da Graça a Santuário Diocesano.

O Pe. Hugo Gomes está, neste momento, a trabalhar na elaboração dos estatutos e espera que, em 2021, Nossa Senhora da Graça, com a ajuda do Espírito Santo, consiga alcançar esse propósito. Aliás, aponta a data de 15 de Agosto de 2021, como a idela para a elevação embora haja outras datas históricas ligadas à capela que estejam a ser estudadas.

Segundo o sacerdote, o estatuto de Santuário a conferir à Capela da Graça é também uma oportunidade para os muitos turistas que visitam a ilha dourada “fazerem a sua caminha de fé e proporcionar um encontro com Deus”. Até porque, sendo santuário, terá outras exigências em termos de abertura de portas.

Serão os estatutos a definir a função e a missão do futuro santuário. Depois será nomeado um reitor para o Santuário e definir quem são os responsáveis por ele. Depois é preciso ouvir os conselhos consultivos da Diocese.

Certo é que a ideia não é fazer do futuro santuário um “museu mas um espaço dinâmico onde as pessoas, naturalmenmte e individualemnte, possam rezar, reconciliar-se com Deus [confessar-se] e adorar o Santíssimo. Um lugar onde as pessoas se encontram com Deus”, referiu o sacerdote.