O JPP apresentou na ALRAM um voto de louvor à tradição dos fachos em Machico, para que “faça o seu caminho para ser declarado Património Imaterial da Humanidade”. Esta tradição, refere o partido, subsiste de moto próprio, sem o efémero de uma presença num concurso televisivo que pretende escolher as “sete Maravilhas da cultura popular”. Não atender a esta profunda realidade, refere o JPP, é não entender às raízes profundas desta tradição do povo machiquense.
“Os Fachos eram inicialmente um sistema de alarme contra piratas e corsários que regularmente “visitavam” a ilha para saquear e semear a destruição entre as populações, durante o século XVI. Episódios marcantes que deixaram a sua memória nas gentes de Machico que alertadas pelos fogos (Fachos) tratavam de fugir e acautelar os seus bens longe do alcance desta gente de má índole. Ao mesmo tempo, este atempado aviso permitia às autoridades militares organizar da melhor forma a defesa do território e das populações que serviam”, recorda esta força política.
2Os fachos eram colocados em locais altos e estratégicos e evoluíram para uma espécie de código visual que permitia identificar a proximidade, o número de naus que se aproximavam, de forma a estabelecer a melhor forma de defender o território. O facho era constituído por dois paus que se cruzavam onde era acesa uma candeia que era o sinal visual que alertava as populações. Também usavam mato e ramagens, ou seja, desde que a chama do facho fosse visível à distância e produzisse o efeito de alarme desejado, os materiais utilizados eram secundários”, recorda-se.
“Os facheiros (as pessoas designadas para este serviço), desenvolveram um código, uma linguagem visual que alertava as populações e concelhos vizinhos para potenciais ameaças. O sistema funcionava tão bem que até as populações do Porto Santo reconheciam os alertas que vinham da Madeira e tomavam as devidas precauções. Ser facheiro era uma espécie de dever cívico ao qual quem era convidado não podia recusar. Os facheiros existiram na Madeira até finais do século XVIII. Tempos mais calmos sem a presença destes piratas e corsários, tornaram este sistema de defesa desnecessário e com ele os fachos e facheiros”, relembra o Juntos Pelo Povo.
Da memória desses tempos ficou registada na toponímia madeirense a “atalaia” nos municípios de Santa Cruz/Caniço, com o Pico da Atalaia, ilhas Selvagens e Porto Santo e os Fachos em Machico e Porto Santo. No Pico do Facho em Machico ainda subsiste um pequeno vestígio desta tipologia militar.
“Poder-se-ia pensar que os fachos acabavam com os piratas e corsários. Mas as circunstâncias marcantes das populações e comunidades não se apagam como por um toque de mágica. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, dizia Camões. As circunstâncias alteraram-se, mas o povo na sua sabedoria, incorpora-as noutras manifestações culturais/religiosas. Assim, os fachos, sistema de defesa da ilha, deram lugar aos fachos, manifestação de cariz etno-religioso que desde os princípios do século XX ilumina o vale de Machico com representações primordiais de aspectos da vida dos machiquenses, nomeadamente as ligadas à pesca com modelos de barcos, peixes ou ainda de índole religiosa com fachos com formas de coração, cálices, etc.”, explica o partido.
“Esta tradição arreigada nas gentes de Machico tem expressão máxima nas celebrações do Senhor do Santíssimo Sacramento no último domingo de Agosto. Protecção divina, fé e, recuando mais no tempo, memórias de um tempo em que a ameaça vinha do mar”, concluiu-se.
O JPP considera considera a tradição dos fachos um testemunho cultural que persiste na sua singularidade e na rica História que a acompanha e que merece bem o reconhecimento como Património Cultural Imaterial da Humanidade.
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