José Prada, deputado, vice presidente do Parlamento e secretário-geral do PSD-Madeira, insurgiu-se hoje contra as posições do Governo da República relativamente a diversos acontecimentos públicos, considerando a existência de decisões diferentes para situações similares. Aponta a contenção, na Páscoa e em Fátima, agora para 12 e 13 de maio, em contraponto com as cerimónias do 25 de abril, do 1º de maio e agora a Festa do Avante, a reunião anual do PCP, que o primeiro-ministro considerou evento político e, por isso, admitindo a realização com o cumprimento das recomendações, sanitárias e de proteção. Uma realidade que não é muito compaginável com o desejo de Jerónimo de Sousa, o líder comunista, que já manifestou desejo de ter, no recinto, o mesmo número de pessoas verificado em anos anteriores, ou seja milhares.
José Prada começa com a palavra “lamentável” para expressar a sua posição. Diz que é uma das palavras que lhe ocorrem quando pensa que “afinal e para quem manda neste País, existem, também no que respeita à pandemia, os que são filhos e os que são… enteados”.
Fala nos “que se sacrificam – e bem – em nome do bem comum e os que, sem qualquer critério, são dispensados desse mesmo sacrifício. Os que ficam em casa para o bem de todos e os que saem à rua, pasme-se, para assinalar datas que “não podem deixar de ser celebradas”, mesmo que isso signifique colocar tudo em causa. Enfim, palavras para quê? Fomos obrigados a celebrar a Páscoa confinados a quatro paredes quando, pese embora as críticas, não houve quaisquer pruridos para que o Governo da República permitisse assinalar o 1 de maio. Além do 25 de abril”.
Escreve dizendo que “o Primeiro-Ministro António Costa limitou as celebrações de Fátima, mas nada tem, em princípio, contra a realização da Festa do Avante. Limitações que foram aligeiradas porque a Ministra da Saúde, do seu governo, veio confundir tudo o que havia sido dito antes. Mais do mesmo. Fará tanta incoerência sentido? Julgo que não. Para os que acreditam e têm a sua fé, a celebração do dia 13 de maio faz-se nos nossos corações e no nosso pensamento. Aliás, enquanto cidadãos responsáveis que somos, a proteção e a salvaguarda da nossa saúde e da saúde dos demais obrigar-nos-ia a este recato, mesmo que não nos fosse pedido”.
Prada considera que “fica difícil entender este serpentear de decisões, sem qualquer nexo ou objetividade. Independentemente das religiões, das preferências ou, seja lá do que for, é inadmissível e até abusivo que um Estado que se diz de todos os Portugueses, continue a apresentar, para situações idênticas, soluções diferentes, tratando-se de exemplos que têm um denominador comum: a participação e o aglomerado de pessoas.
Ainda mais revoltante é a ligeireza com que estas contradições se apresentam, num País que teima em ser governado ao sabor do vento e, não, com realismo, assertividade e bom senso. Na véspera de mais um ano de celebração das aparições de Fátima, valha-nos a nossa Fé. A nossa esperança. E a certeza de que, quem acredita, longe ou perto assume a sua devoção”.
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