Hoje não se verificou qualquer novo caso de Covid-19, após a “má notícia” de ontem que deu conta de mais 4 infectados com o novo coronavírus. Pedro Ramos, secretário regional da Saúde, disse que é responsabilidade de todos, nesta altura de desconfinamento, evitar, através da observação dos necessários cuidados e uso de máscara, o surgimento de uma segunda onda na RAM. “Estamos numa nova fase”, considerou o governante, explicando de que forma se recomeçará a actividade das instituições de saúde na Região.
“A partir de amanhã, mais actividades serão retomadas, para bem da nossa economia e também da nossa população”, referiu. Entre elas, está a reabertura progressiva do funcionamento normal das instituições de saúde na Região, após restrições estabelecidas na mobilidade do pessoal de saúde entre instituições públicas e particulares, e entre serviços.
“Com autorização do presidente do Governo Regional, dr. Miguel Albuquerque, e a seu pedido, anuncio hoje que a partir de amanhã, haverá a retoma das actividades da área da saúde pública, convencionada, privada e social e ainda a actividade do serviço de emergência pré-hospitalar, de acordo com as regras anteriores, excepcionando os lares e as unidades de internamento de longa duração da rede regional de cuidados continuados integrados, quer por razões de protecção de cidadãos mais vulneráveis, quer por respeito pela sua vida”, disse o governante, na conferência do IASAÚDE, hoje, com a vice-presidente do mesmo, Bruna Gouveia.
Amanhã, “a saúde poderá de facto retomar a sua actividade, numa fase de transição” que deve ser respeitada. Para se chegar a esta decisão, referiu o orador, contribuíram as sugestões das ordens profissionais dos diversos trabalhadores do sector da saúde, que foram auscultadas, sendo ainda levadas em linha de conta as recomendações nacionais e internacionais para as áreas médicas, cirúrgicas, cuidados de saúde primários, etc.
“Sabemos que será um desafio enorme recomeçar e recuperar, mas os profissionais de saúde estão com capacidade para o fazer”, garantiu Pedro Ramos, “com segurança e qualidade”.
Esta retoma no sector da saúde será “gradual e transitória, e deve ser feita continuando a proteger os profissionais e a população”.
O governante com a pasta da Saúde assegurou que esta decisão não foi tomada de ânimo leve mas após cuidadosa análise, que contou com a colaboração de muitas entidades.
Será preciso, acrescentou, demonstrar capacidade de resposta quer para o circuito Covid, quer para o não-Covid. “Todos os profissionais de saúde terão um papel fulcral no reforço, monitorização e sensibilização para as medidas de segurança”, declarou.
Há práticas que nunca poderão ser abandonadas, como o inquérito epidemiológico, o controle de temperatura, a higienização das mãos, a desinfecção dos espaços, o uso de máscaras e o distanciamento social, referiu.
Há agora também a preocupação com a recuperação das consultas, das cirurgias e outros procedimentos, como os meios complementares de diagnóstico e terapêutica e os rastreios.
“Há aspectos a ter em conta, nomeadamente na área cirúrgica: há capacidade instalada no Hospital para a disponibilidade de testes para a execução de triagem a doentes e profissionais”, pois, segundo Pedro Ramos, os doentes têm de ser testados com ou sem quarentena prévia de 14 dias, havendo mesmo a necessidade de testá-los pós-cirurgia, se surgir algum sintoma.
Privilegiar-se-ão as cirurgias em regime ambulatório, bem como de regime de internamento de curta duração.
Já no que diz respeito às consultas, pretende-se encetar progressiva e cautelosamente a actividade presencial, em doentes não Covid-19. “Fica a cargo dos responsáveis a retoma das consultas presenciais (…) dos dentistas, nutricionistas e psicólogos. As especialidades que antes da contingência Covid-19 apresentavam maiores dificuldades deverão ter prioridade, nesta fase”, acrescentou.
A retoma gradual da actividade assistencial não urgente, na área de prestação da consulta externa, será uma realidade. Mas “podemos e devemos manter” a possibilidade da realização de consultas não-presenciais nas diversas actividades, ou seja, a teleconsulta, que Pedro Ramos considerou “uma ferramenta muito bem utilizada na fase da pandemia”.
Os espaços disponíveis nas zonas hospitalares têm também de ser cuidadosamente utilizados e respeitando sempre o distanciamento social. “Temos de garantir a segurança de doentes e profissionais no início da retoma destas actividades”, insistiu.
O processo poderá obedecer a uma calendarização por semanas, em que na primeira semana serão definidos quais os serviços e as áreas prioritárias, e como os mesmos querem começar. Na semana seguinte poderá haver a utilização de um terço da capacidade instalada, aumentando depois para metade, para dois terços e assim progressivamente.
Já no que concerne às consultas presenciais, “temos de ter cuidado com alguns aspectos”, avisou o secretário regional da Saúde e Protecção Civil.
A presença de acompanhantes será desincentivada, exceptuando situações muito particulares. Os doentes serão admitidos na consulta apenas com 30 minutos de antecedência, para não provocar ajuntamentos. Serão recusados os doentes que não se apresentem à hora marcada, “no sentido de agilizar o funcionamento desta retoma”, e será prestada aos utentes “informação clara e concisa acerca do local onde irá decorrer a consulta e do modo como a mesma irá decorrer”. O SESARAM terá linhas de apoio e acesso para esclarecimento e para ser consultado.
Pedro Ramos deu ainda conta que, no que concerne ao Covid-19, “continuamos a testar na RAM”, já tendo sido ultrapassada a barreira dos cinco mil testes realizados. Há agora 2038 amostras processadas por cem mil habitantes.
O secretário da Saúde disse que foram realizados testes em mais dois lares de Terceira Idade. “Até hoje efectuámos testes em doze lares da RAM, num total de 1199 testes, dos quais 541 foram utentes, e 658 foram colaboradores. Até agora, todos os resultados apurados foram negativos”.
No final da sua intervenção, Pedro Ramos apelou para o bom uso da máscara, “uma nova ferramenta que todos estamos a usar”. As mesmas, sublinhou, bem como as luvas, não devem ser descartadas em qualquer sítio. “Há sítios próprios para a colocação de resíduos, que devem ser respeitados”. Máscaras e luvas não devem ser abandonadas na via pública, o que cria “um novo problema de saúde pública” à população.
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