O Inimigo invisível

A vida é feita de imprevistos, de volte faces, de improbabilidades que por vezes se tornam realidades. Realidades vivas, humanas, realidades presentes e efémeras. Vivemos um tempo, um tempo que relembra o passado, o passado de uma guerra, mas uma guerra diferente. Uma luta contra um inimigo, um inimigo invisível, trapaceiro, silencioso. Aquele que chega sem ser convidado, aquele que está sempre à espreita e entra nas nossas vidas de rompante. Ele anda por aí, anda no meio de nós, como se de uma sombra se tratasse.

Falo dele hoje sim, daquele que tem sido um autêntico pesadelo para a humanidade. Falo do Covid-19, um tema que nos perturba, aflige e nos consome e que rapidamente tomou conta do dia a dia de todos nós. Falo-vos hoje porque sinto que é este o meu dever enquanto cidadão atento e responsável. Quero partilhar convosco as minhas inquietudes, as minhas dúvidas, o meu ponto de vista, mas sobretudo passar-vos um sinal de esperança nestes tempos difíceis a qual todos podemos fazer a diferença.

Em Janeiro quando o vírus começou a tomar proporções graves na China, devo confessar-vos que estava longe de imaginar que um cenário catastrófico podia assolar o nosso País e a nossa Ilha. Uma inconsciência à primeira vista mascarada de uma sombra de medo alojada no meu subconsciente. Medo esse que com o passar do tempo deu lugar a uma dura realidade. É estranho pensar que ainda há umas semanas estávamos todos preocupados com assuntos que neste momento se dissiparam, que deram lugar a outras preocupações. Preocupações essas que mexem com o futuro de todos nós.

Esta quarentena não tem sido fácil. Difícil por inúmeros motivos: não poder sair, não poder conviver, não poder exercer a nossa actividade em pleno, não poder abraçar, não poder mimar, não poder distribuir afectos nem estar próximo daqueles que mais amamos, mas com esta realidade também se colocam algumas questões do passado. Todos nós conhecemos algum familiar ou amigo que teve na guerra, num campo de batalha. A eles pediram-lhes para irem combater pela sua pátria e dar o corpo às balas. A nós? Pedem-nos só para ficarmos em casa a cumprir todas as recomendações do estado de emergência e que cumpramos o nosso isolamento social.

A todos os meus amigos que neste momento, tal como eu, se encontram em isolamento social peço-vos que não desesperem, que não desistam, que lutem todos os dias, que apreciem os momentos em família, que façam aquelas tarefas que estavam adiadas por falta de tempo, que utilizem as redes sociais para atenuar a dor da distância, que continuem a acreditar no amanhã. Lembrem-se que depois da tempestade vem a bonança. E a nossa está ali ao virar do cabo.

Ao meu Governo Regional, pela mão do senhor Presidente, Miguel Albuquerque só tenho uma palavra de agradecimento. Agradecimento pela coragem que teve no início desta pandemia. Por ter desafiado o Governo da República, mas sobretudo por ter defendido o bem-estar de todos os Madeirenses e Porto-santenses. Espero que a coragem continue a ser fiel amigo para que juntos possamos superar esta pandemia.

São em momentos como este, que se vê a garra de uma Nação, o sentido de patriotismo e de heroísmo. Apelo a todos que se juntem a esta causa, porque cada um de nós pode fazer mesmo a diferença. Para que brevemente possamos todos voltar à rotina diária e repensar nos tremendos desafios e vicissitudes que temos pela frente. Que a resiliência e a determinação nunca faltem ao povo português. Porque juntos seremos mais fortes.

 

*O autor escreve segundo à antiga ortografia da língua oficial portuguesa*