Aglomerado na 5 de outubro com entrada e saída de doentes sem proteção

Desde que o Presidente da República decretou o “estado de emergência”, que muito provavelmente será prolongado no dia 2 de abril, altura em que termina o primeiro período de 15 dias, os madeirenses, pelo menos em larga escala, têm cumprido o aconselhado isolamento social. Fique em casa é a mensagem mais ouvida e escrita para sensibilizar as pessoas do perigo da COVID-19, cujos números registados em Itália, Espanha e agora também nos Estados Unidos, entre outros países, podem ajudar a compreender o que estamos a enfrentar e as precauções que somos obrigados a tomar face à pandemia.

Mas no meio desta onda de recolhimento, existem sempre casos que provocam choque, indignação, sem ficarmos a saber muito bem se estamos perante a inconsciência instalada ou se as pessoas acreditam, de forma convincente, que é coisa dos outros. A praia de Carcavelos cheia, os juntamentos de turistas, quando ainda cá estvaam, no Funchal e em muitos outros sítios, a enchente na promenade da Póvoa de Varzim e outros momentos de contraciclo com a realidade, marcaram sobremaneira uma forma de estar de desafio ao perigo.

Depois, existem as outras situações, que nos chegam todos os dias, que são verdadeiramente incompreensíveis, por envolverem circuitos de responsabilidade, que não propriamente o cidadão comum – onde de poeta e louco todos temos um pouco. Como por exemplo as imagens que o cidadão Adelino Ribeiro enviou ao FN e colocou na sua página de Facebook, captadas na Rua 5 de outubro, junto a uma unidade para doentes que precisam fazer hemodiálise, provenientes de vários pontos da ilha, doentes considerados de risco, vulneráveis neste enquadramento de vida em que estamos.

A verdade é que, neste contexto de pandemia, torna-se incompreensível a manutenção de certos procedimentos. Aquilo são táxis em fila, pela rua abaixo, doentes que entram e abandonam as instalações sem proteção, motoristas que ali estão à conversa, aos grupos, sendo que os próprios doentes aguardam a vez naquilo que parece um “estado de sítio” em estado de emergência. A imagem do carro de recolha de lixo apenas completa o aglomerado inconveniente.

Para um melhor enquadramento relativamente aos doentes de risco, a Direção Geral de Saúde emitiu algumas recomendações precisamente para os grupos mais vulneráveis, como os doentes com Doença Renal Crónica em Hemodiálise.

As Unidades de Hemodiálise devem elaborar um Plano de Contingência para a Pandemia COVID-19, de acordo com a presente Orientação e de acordo com o Plano Nacional de Preparação e Resposta à COVID-19; As Unidades de Hemodiálise devem garantir:

A informação sobre etiqueta respiratória, higiene das mãos e outras precauções básicas de controlo de infeção (PBCI), de acordo com a Norma n.º 007/2019 da DGS, em vigor, a todos os profissionais de saúde, utentes e cuidadores;