“O que é mais triste é existirem nossos a contribuir para esta palhaçada. Depois de mim o caos, é isso ?”, reage o deputado Carlos Rodrigues às “diretas” no PSD

Carlos RodriguesO deputado social democrata madeirense Carlos Rodrigues veio hoje a público manifestar-se crítico relativamente ao posicionamento do partido a nível nacional, que não contabilizou os votos do PSD-Madeira nas eleições diretas de ontem que ditaram uma segunda volta, no dia 18 de janeiro, para decidir quem ganha, se Rui Rio se Luís Montenegro, depois deste primeiro “round” em que Rio falhou a maioria absoluta.

Carlos Rodrigues, na sua página pessoal da rede social Facebook, deixou algumas notas sobre o “incidente” e algumas questões para reflexão: “E ainda perdem tempo com estruturas nacionais que não nos representam e desprezam desta maneira ?!?!?”; ” Para quando a total emancipação?”

Mas a nota que não deixa de merecer atenção muito particular prende-se com o facto de ter escrito que “o que é mais triste é existirem nossos a contribuir para esta palhaçada. “Depois de mim o caos”, é isso ? Pois, talvez, o mundo está cheio de imprescindíveis que se esfumaram e que o tempo tratou de os colocar no nível certo da sua verdadeira importância. Tenho pena de ver tantos tiros nos pés. Por tudo em causa em nome de narcisismos ridículos dá nisto”.

O “post” que Carlos Rodrigues escreveu não fala em nomes nem objetivamente explcia a quem se dirige como justificação para essa “tristeza”, apenas se constata este desabafo do parlamentar “laranja” depois da informação ontem veiculada pelo presidente do conselho de jurisdição do partido, de que os votos da Madeira não tinham sido contabilizados devido a uma “desconformidade”.

Recorde-se que estas “diretas” do PSD foram envoltas em polémica. À luz do regulamento nacional do partido, apenas 104 militantes da Madeira estariam em condições de votar. À luz da interpretação do PSD-M, esse número passaria para 2500. A questão está na forma de pagamento das quotas, que a nível nacional não permite que seja em numerário mas sim por multibanco, cartão de crédito, transferência ou vale postal. Daí a “desconformidade” apontada por Nunes Liberato.

Antes, no momento de votar na Região, José Prada, o secretário geral do PSD-M tinha afirmado que “mantemos a defesa incondicional da nossa autonomia estatutária e daqueles que são os interesses dos nossos Militantes, que têm toda a legitimidade para expressar a sua opinião e para participar – aliás como estão a fazer – nestas Eleições”.

O mesmo José Prada tinha avançado, após a reunião da comissão política social democrata madeirense, que o PSD/Madeira considerava “esses votos, 2500, como sempre considerou durante mais de 40 anos em que existe o nosso Partido na Região. O Dr. Rui Rio foi eleito há dois anos com a mesma situação que acontece agora e até com mais votantes, cerca de 2.800. Há dois anos ninguém colocou em causa, há quatro anos ninguém pôs em causa, há dez, quinze ou vinte anos, ninguém questionou”, garantindo que “o procedimento ora seguido serviu para eleger, nestes quarenta anos, tanto Presidentes do Partido na Região, quanto Presidentes do Partido a nível nacional, “sem que nunca ninguém tivesse colocado em causa a questão das quotas da Madeira”.

“O caderno eleitoral é ilegal e acho episódio lamentável”, reagiu Alberto João Jardim, logo depois de votar, protestando e prometendo a impugnação de eleições. O ex- presidente do partido na Região e ex-presidente do Governo Regional manifestou posição de que o PSD-M deve acertar o passo depois do mesmo ter acontecido a nível nacional para evitar as “chapeladas”.

Enquanto o líder do PSD-M não reage, como prometeu, ao facto de não terem sido contabilizados os votos da estrutura regional, a segunda volta voltará, por certo, a não contar com os votos da Madeira, que nesta primeira volta, mesmo não contando, deu vitória ao candidato Miguel Pinto de Luz.

Lembre-se, ainda, que este clima de tensão entre a direção regional do PSD e o partido a nível nacional, não se ficou apenas pelas diretas. No Orçamento de Estado, também os deputados da Madeira votaram de forma diferente da bancada social democrata na Assembleia da República, quebrando assim as orientações da liderança de Rui Rio. Os três deputados do PSD-M, Sérgio Marques, Paulo Nevez e Sara Madruga da Costa, abstiveram-se na generalidade, quando o partido votou contra. Um caso para ser seguido nos próximos dias.


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