Associação ambientalista “Cosmos” acusa AFAVIAS de má fé e JM de branqueamento

O documento da Cosmos é assinado por Dionísio Andrade.

A Cosmos – Associação de Defesa do Ambiente e Qualidade de Vida, veio publicamente manifestar “o seu mais veemente repúdio pelas insinuações, falsidades e má fé das grandes construtoras da região, nomeadamente a empresa AFAVIAS, cujo sócio maioritário, sr. Avelino Farinha é co-proprietário do Jornal da Madeira, órgão que tem sido utilizado para fazer chantagem, branqueamento, e lançar ignóbeis falsidades sobre a recente polémica da extracção de inertes nas nossas linhas-de-água e orla costeira.”

A Cosmos acusa o dito jornal de estar “completamente instrumentalizado pelas directrizes do seu patrão construtor, o roubo de inertes das nossas linhas de água é legítimo já que alimenta inúmeras pequenas empresas de construção, que sem esses materiais disponíveis no mercado, não conseguem sobreviver (!)”.

O presidente da Cosmos, Dionísio Andrade, relembra que “durante mais de 40 anos, e sobre o pretexto de garantir a segurança das populações e contanto com a cumplicidade de governantes completamente corruptos, rapinaram milhões de toneladas de inertes das nossas ribeiras. Os tais “técnicos” governamentais (muitos deles ligados a Ralis, chegando a correr com carros suportados e adquiridos pelas grandes construtoras, como a AFA, ou viajando em aviões executivos do mesmo grupo) chegaram ao desplante de informar a opinião pública, que a retirada desses inertes era fundamental para desimpedir os canais, e que as grandes construtoras até FAZIAM UM GRANDE FAVOR, em limpar essas linhas de água”.

Para a Cosmos, “artimanhas para encobrir um negócio milionário que envolvia, e envolve, milhões de euros.  E quando não eram as “tais limpezas preventivas”, aproveitavam-se das grandes obras, como a construção de açudes e canalização de ribeiras e outras obras hidráulicas para roubarem à descarada esses materiais. A Ribeira Brava e Tabua, Ribeira de São Vicente, Ribeira dos Socorridos, Ribeira da Madalena do Mar, Ribeira Seca e da Metade, no Faial, têm sofrido o descalçamento das suas cabeceiras, revolvidos os seus leitos, despidos os seus meandros naturais dos seus frondosos arvoredos, tudo para alimentar o lucro fácil dessas construtoras, aliás, fizeram tal concorrência às pequenas empresas que exploravam pedreiras, que muitas delas foram obrigadas a encerrar portas e a mandar os seus trabalhadores para o desemprego. E as que restaram, são obrigadas a meter “máquinas” por perigosas ravinas, com custos de extração altíssimos (no final de 2019, inclusivamente, um trabalhador/manobrador morreu quando fazia um desses perigosos trabalhos em altura, na zona da Fundoa), enquanto as grandes construtoras simplesmente metem as suas máquinas limpinhas nos leitos e na orla costeira, e rapinam tudo o que encontram sem pagar um único tostão à região. E o mais confrangedor, é que esta atividade criminosa do roubo descarado dos nossos recursos naturais é realizada com o beneplácito dos nossos magistrados do Ministério Público.  O caso mais paradigmático, é o da Ribeira Brava, cujo leito foi completamente canalizado e “rapinado” de inertes numa grande extensão, onde em caso de chuvas intensas, a velocidade do caudal torrencial será de tal ordem que, a jusante, irá por em perigo as populações e seus bens (a Ribeira da Ponta do Sol também tem sido vítima deste mesmo método interventivo)”.

“Além de causarem a falência de pequenas empresas, estas grandes construtoras açambarcam nos seus estaleiros milhões de toneladas de pedras furtadas, muitas delas já transformadas em britas, pó-de-pedra, etc… e com a recente ameaça dos poderes públicos intervirem neste “roubo” descarado, vão para os jornais CONTROLADOS POR ELES, ameaçarem e chantagearem governantes e ambientalistas, sob o pretexto que não têm inertes para fornecer às pequenas empresas de construção. Quando no perigoso estaleiro da Meia Légua, na Ribeira Brava, São Vicente, e sítio dos Moinhos, no Faial, têm milhões de toneladas açambarcadas, tudo com o vil propósito de fazerem rarear esses inertes no mercado, e assim conseguirem dois objetivos: primeiro, deitarem as culpas para os ambientalistas e para a imprensa que denunciou a “roubalheira”, segundo, pressionarem o Governo Regional para este lhes dar carta branca e assim continuarem com a actividade criminosa”, denuncia a Cosmos, que também condena “a recente suspensão do PDM, na Zona do Portinho, Caniço, quando os restantes munícipes desse concelho são obrigados a cumprir esse mesmo PDM, uma medida altamente discriminatória para os demais munícipes e uma mancha para os Juntos Pelo Povo, partido cujos líderes, há poucos anos, defendiam precisamente o contrário”.