Bloco de Esquerda diz que compra da SDM será “um escândalo”

O Bloco de Esquerda considera que é “absolutamente desnecessária” a compra da SDM ao grupo Pestana. A empresa, diz o BE, sem a concessão do CINM “vale ZERO”. Os argumentos apresentados pelo Governo Regional para a adquirir “são falaciosos e revelam a sua má fé. O caminho a seguir  é revogar a concessão, ferida de ilegalidade segundo o Tribunal de Contas, e o Governo passar a assumir a gestão do CINM directamente”, postulam os bloquistas.

A SDM ficaria assim sem actividade e, portanto, todo o seu quadro de pessoal restaria disponível para integrar o organismo público que vier a gerir o CINM. “Não têm qualquer razão de ser as preocupações manifestadas quer com a continuidade da operação do CINM, quer com a estabilidade social do pessoal que trabalha na SDM”, conclui o Bloco.

“O Governo primeiro deu de mão beijada a gestão do CINM ao Grupo Pestana, que auferiu mais de 50 milhões em lucros distribuídos ao longo dos anos, sem que tivesse dado qualquer contributo para o desenvolvimento do CINM que justifique tamanhos lucros, pois todos os investimentos foram feitos pelo Governo Regional. Agora quer comprar-lhe a sua quota parte no capital da SDM? Não há qualquer justificação, trata-se de um privilégio inaceitável”, conclui o dirigente Paulino Ascensão.

Para este responsável político, “Autonomia para o PSD serve para dar privilégios aos empresários amigos e as concessões são o instrumento para concretizar tais privilégios: seja no caso do CINM; na concessão das ligações ao Porto Santo e do porto do Caniçal; no centro de inspecções automóveis; ou das concessões rodoviárias Via Expresso e Via Litoral”.

O que está em causa, apontam, não é assegurar a legalidade, ou a continuidade das operações no CINM, nem tão pouco a estabilidade social. “O Governo Regional procura apenas um pretexto para entregar mais um “bónus”, eventualmente de milhões ao grupo Pestana”, acusa este partido, que termina assim: “Não podemos esquecer que o Grupo Pestana gere agora a Quinta do Arco de são Jorge que já foi propriedade do Miguel Albuquerque”.