O Natal dos nossos dias

Se há uns anos, antes do aquecimento global, sabíamos que a contagem decrescente para o Natal começava quando saíam dos armários os sobretudos e cachecóis, saboreando a primeira geada, agora percebemos que estamos na época festiva quando “se faz luz”, ficando a dúvida se nas ruas ou nos centros comerciais.

Torna-se fácil criticarmos como o Natal, que nas nossas memórias era sobre aquela noite especial, passada em família, com mesas recheadas de iguarias e sorrisos, passou a ser um momento de consumismo massificado, filas intermináveis e paciência em limites mínimos.

Como em qualquer cenário de um conto, neste novo Natal há um vilão, ou vários. Umas pessoas que trabalham em escritórios, e não no Polo Norte, a criar necessidades que aparentemente não temos e obrigam-nos a correr para lojas. Essas pessoas usam uma ferramenta chamada publicidade que apela ao nosso imaginário de uma vida que queremos ter.

E é um sinal evidente que entramos no advento quando somos tomados de assalto por anúncios de brinquedos, perfumes ou qualquer outro produto desde que o azevinho e o Pai Natal emoldurem as criatividades a par dos descontos e promoções.

No entanto, como em todos os contos, há outro lado da estória.

É também nesta altura que vemos mais campanhas de apelo solidário para diversas instituições quer crianças, idosos, animais.

Porque a publicidade é sem dúvida uma poderosa arma de comunicação que entidades, que durante o ano dedicam-se a cuidar dos outros, conseguem amplificar a sua mensagem.

Desta forma percebemos que a publicidade na sua forma mais simples é sobre informar, divulgar e cabe-nos discernir se queremos comprar o que nos estão a vender, quer seja porque precisamos, queremos ou não.

Ainda antes de terminar, sabiam que a imagem daquele senhor simpático vestido de vermelho que tanto gostamos e associamos a esta época, foi na verdade criado por uma marca?

Como já é dezembro faz frio lá fora, as minhas prendas estão compradas, o trabalho de voluntariado agendado, resta-me desejar (pela primeira vez este ano) um Feliz Natal!