A Festa está aí… e o Menino Jesus ou Pai Natal?

Na verdade, já nada ou quase nada é o que era.  A Festa do Deus-Menino, tão desejada pela criançada, e não só, tem vindo de há muito a ser substituída pelos hábitos “pagãos” importados de fora.

Não sou só eu, porque já tenho idade demais, que me dói esta transferência de valores: o  Menino-Jesus – o Marketing tem muita culpa, deu lugar ao Pai Natal.  O lado material, o dinheiro, tem feito esquecer a Festa Cristã pelo Pai Natal ou Saint Claus, vindos de países do norte da Europa e dos Estados Unidos da América!

Quantos lares têm ainda a “lapinha” ou presépio a festejar o nascimento do Deus – Menino,  ou a “escadinha” encimada com o Jesus, rodeado pelas “cabrinhas “, as searas de milho, trigo ou tremoços, mais as laranjas, os peros, castanhas ou ouriços,  e outros frutos secos?

Nas igrejas, algumas há em que o presépio mais elaborado ou não era iluminado por luzinhas e, em que a Sagrada Família, a vaca, o burrinho e demais pastores estão presentes; mais tarde vêm os Reis Magos do Oriente com as riquezas a ofertar ao Deus-Menino.

Já cheguei a ver numa igreja uma árvore de Natal a par do presépio, o que me fez doer, ver o espírito cristão e o pagão juntos.

Felizmente na nossa Ilha, recomeçaram as Missa do Parto e há sempre pela cidade casas que se dedicam a construir presépios cada vez mais completos que podem ser visitados.

A missa do Galo continua a celebrar-se, principalmente nas freguesias; a última a que assisti, na Ponta Delgada, foi uma surpresa com o Anjo e jovens a cantar hinos natalícios, as pequeninas pastoras (vestidas de viloas) a participar noite fora até de madrugada e tudo e todos mostravam uma alegria contagiante. As rabecas bem ensaiadas, vendo-se como todos os presentes comungavam da mesma alegria.

Em casa da minha avó Firmina, era ela quem mantinha a tradição da “escadinha” e das searas, enquanto que a minha mãe fazia um grande presépio na saleta, onde hoje ficam  o escritório e a biblioteca da sua infância e juventude.

Todas estas lembranças revivo-as agora na Festa com uma saudade infinda; as cartas ao Menino-Jesus que eu dava a meu pai, escritas mal comecei a escrever, ainda as conservo, assim como as dos meus filhos.

Eu acreditava piamente no Menino-Jesus e nas prendinhas que ele me deixava junto da lareira, para isso contribuía o meu pai, criando durante dias na minha imaginação esse segredo confessado ao Jesus. Que desilusão e desgosto eu tive quando, no meu 1º ano do Liceu, as minhas colegas me disseram a verdade!

Ainda mantenho a tradição da “lapinha”, mas os meus filhos, com a “implantação” anual da árvore de Natal, quebraram a “inocência” que envolvia o segredo das prendas.

E, para terminar, conto-vos o que me “revoltou “a semana passada, quando no fim da missa  vespertina, peguei na Folha Dominical da Paróquia da Igreja Matriz, de Santa Maria Madalena, Santo Tirso e, logo na 1ª página, li o seguinte: “VEM SENHOR JESUS! ” ; a seguir,  o desenho de um Pai Natal com o saco das prendas às costas e a palavra – “VIENE-.

Boa Festa e um Ano Novo, com saúde . É isto que desejo aos meus leitores.


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