PS-M vem criticar falta de vontade política do GR em fazer contratos-programa com autarquias não pertencentes à ARM

Os deputados do Partido Socialista (PS) vão apresentar, na Assembleia Legislativa da Madeira, um projecto de resolução que visa recomendar o Governo Regional a constituição de contratos-programa com as autarquias que não pertencem à Águas e Resíduos da Madeira (ARM), como forma apoiar na recuperação e substituição das redes de água, para minimizar as perdas de água existentes na Região.

A medida foi hoje apresentada em Santa Cruz pela deputada Mafalda Gonçalves, que considerou que “o problema das perdas de água é sem dúvida um dos principais flagelos da nossa Região, e deve ser considerada uma das principais prioridades a nível dos investimentos regionais em todos os concelhos”.

Esta parlamentar considerou “absurdo o Governo Regional não fazer qualquer contrato-programa com nenhuma autarquia que não pertence à ARM”. São, declarou, seis concelhos que representam cerca de 70% do fornecimento de água da Região, e com os quais “não há vontade política de haver uma parceria estratégica”.

“Esta questão é mais importante nos dois maiores concelhos da Madeira, Funchal e Santa Cruz, com mais população e com mais unidades hoteleiras, sendo que juntos representam 66% da água fornecida em alta pela Região”, acrescentou.

Além de não fazer nenhum contrato programa com as autarquias que não pertencem à ARM, a deputada diz mesmo que “o Governo Regional seca o financiamento comunitário, tendo acesso à maior parte do envelope financeiro, com 85% de elegibilidade”.

Esta parlamentar aproveitou ainda  momento para saudar o investimento que os Municípios do Funchal e Santa Cruz estão a realizar nesta matéria, mesmo sem o apoio do Governo Regional, que “quer continuar a cumprimentar com o chapéu alheio, dos projectos desenvolvidos, apresentados, e que serão construídos pelas autarquias, com apoio comunitário”.

Exemplificou com a Câmara do Funchal, que está a empreender um enorme investimento nas suas redes de águas, com três milhões de euros investidos na substituição das redes antigas de fibrocimento, três milhões de euros no projecto de telegestão e mitigação de perdas de água nas duas maiores freguesias da cidade e da RAM, São Martinho e Santo António, e 10 milhões nas restantes freguesias.

Mafalda Gonçalves sublinhou assim que “na verdade é que mesmo com este grande esforço financeiro, as autarquias por si só não conseguirão num curto espaço de tempo investir o suficiente para trazer as perdas de água abaixo de um valor razoável de 30%. Ou seja, reduzir em mais de metade das perdas que acontecem em toda a Região”.