
Filiados e simpatizantes do CDS estão um tanto divididos relativamente às consequências dos resultados de domingo para as eleições regionais, que deram a vitória ao PSD, pela primeira vez sem maioria absoluta, o que deu peso ao partido cuja afinidade ideológica está mais próxima da linha social democrata, o CDS PP Madeira. Perdeu votos, perdeu deputados, mas ganhou peso parlamentar.
Mas aquilo que aparentemente surge como sendo lógico e mais natural, uma coligação PSD/CDS, cumprindo com as diretrizes do congresso centrista, que apontava para um entendimento com quem vencesse as eleições, pode não ser bem assim quando for para entrar na mesa das negociações, até porque nesse congresso também ficou definido o peso duplo da liderança de Rui Barreto e da presidência de José Manuel Rodrigues, antigo líder do partido na Região e figura que travou lutas acesas com a linha “dura” do PSD de Alberto João Jardim, que devido ao seu estilo, não deixava grandes manobras de diálogo com a oposição. Foram anos a fio, assim, havendo mesmo quem afirme que José Manuel Rodrigues não estará disposto a entregar, de ânimo leve, a governação ao PSD sem grandes contrapartidas, que também não estão a ser muito bem vistas em alguns setores do PSD.
Quando José Manuel Rodrigues avançou, domingo, com a possibilidade do CDS vir a reclamar posições de topo, tanto no futuro governo como na futura Assembleia, houve logo vozes do PSD a se insurgirem contra essa posição, questionando “afinal quem ganhou as eleições?” A verdade é que Rodrigues pretende “esticar a corda” ao ponto de não dar grande margem ao PSD para tratar o CDS apenas como uma “bengala” conveniente e não com o peso efetivo enquanto partido que viabilizará o governo, independentemente de ter perdido votos e deputados. É um peso estratégico que, neste contexto, vale mais do que o próprio peso eleitoral. Além de que mantém o PSD atento sempre na dúvida se não haverá alguma apetência centrista para o apelo de Cafôfo numa alternativa de governo tipo “geringonça”. Rodrigues quer PSD com “rédea curta”.
Rui Barreto é mais comedido, não escondeu a enorme satisfação pelo peso estratégico que o CDS PP Madeira ganhou na noite eleitoral, vincou bem que não há maioria absoluta na Madeira sem o CDS, o que é verdade, mostrando-se aberto ao diálogo com o partido vencedor, como aliás tinha sido emanado do Congresso. Mas pouco ou nada diz relativamente à mesa das negociações e à palavra que, neste caso, deverá ser repartida entre Barreto e José Manuel Rodrigues.
Não há oficialmente elementos que permitam duvidar deste acordo PSD/CDS, ainda que de ambos os lados, como aliás acontece em qualquer negociação, os objetivos sejam nivelados por cima para que os ganhos se aproximem do que realmente pretendem. Se houver consenso no CDS e se houver bom senso dos dois lados, a situação estará aparentemente resolvida, registando-se a necessidade de haver, no governo, uma representatividade governativa para Rui Barreto, que se deverá situar ao nível de uma secretaria. Falta saber se o CDS ficará suficientemente satisfeito apenas com esse privilégio.
Quanto ao PSD-Madeira, a vitória depois de 43 anos é um facto relevante. Não perdeu muitos votos relativamente a 2015, mas perdeu aquilo que nunca tinha perdido, a maioria absoluta, situação que já levou Alberto João Jardim a dizer que o “barco” deveria ir a “conserto” no estaleiro, referindo que os primeiros dois anos de mandato de Albuquerque foram desastrosos para o PSD, que entretanto fez algumas alterações no Governo que permitiram “reparar” alguns “ajustes de contas” que certas figuras do partido estavama fazer com o passado social democrata. A entrada de Pedro Calado é vista como o ponto fulcral de alguma recuperação do eleitorado social democrata.
E é neste quadro global que o futuro governo deverá ser preparado.
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