OCM vai tocar à Casa da Música no Porto e gravará para a Sony Classics e para a Naxos

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O actual director artístico da Orquestra Clássica da Madeira, Norberto Gomes, avançou ao Funchal Notícias, num comentário sobre a programação da nova temporada, hoje apresentada, que, logo a seguir à Páscoa, a OCM irá pela primeira vez actuar na Casa da Música, no Porto. A formação orquestral madeirense foi convidada pela “European Strings Teacher’s Association”. Trata-se de uma agremiação que foi criada em 1972, por Yehudi Menuhin, famoso violinista, maestro e pedagogo, e que se interessou pela intepretação integral, na temporada passada, das obras do mestre de capela da Sé do Funchal, António Pereira da Costa (1697 -1770, nomeadamente os Concertos Grossos que foram publicados em Londres e que lhe granjearam certa notoriedade a nível europeu.

Na Casa da Música, a OCM tocará entre três e quatro Concertos de Pereira da Costa, no dia 18 de Abril. As peças estão ainda por escolher.

Acerca da presente temporada, Norberto Gomes comenta que estamos já na sétima edição deste modelo de gestão artística da Orquestra, pelo que o lema da própria temporada se intitula “Paixão e Gratidão”. “Paixão”, explica, “porque esta é uma orquestra apaixonada e que toca sempre dessa forma, independentemente de ser nos ensaios ou em concerto”, algo que, sublinha, é muito valorizado pelos maestros e solistas que com ela vêm trabalhar. A “Gratidão” é um modo de expressar agradecimento também aos músicos que compõem esta orquestra, pela “generosidade com que a música nos tem tratado” e pela “riqueza das obras que nos têm chegado, através de inspiradas criações de vários compositores”.

Quanto à forma da própria temporada, assume, pouco se alterou em relação àquilo que a OCM tem feito em anos anteriores. Norberto Gomes salientou a profícua colaboração com o Conservatório/Escola Profissional das Artes da Madeira, estabelecimento de ensino musical ao qual se dirigem também, quando estão de visita à Madeira, muitos dos músicos que colaboram com a OCM. Docentes vindos de Berlim, Londres, Amesterdão, Porto ou Lisboa representam, claro está, um grande valor acrescentado para os alunos do CEPAM, a quem transmitem os seus conhecimentos.

A maioria dos maestros convidados nesta temporada é “repetente”, embora a OCM tente atrair maestros novos nesta temporada. Já quanto aos solistas que se apresentam em concerto na nova temporada, só dois ou três dos mesmos já vieram tocar com a OCM.

O que Norberto Gomes realmente realça nesta programação, é a quantidade de música portuguesa que a Orquestra Clássica interpreta, tocando nada menos do que 15 compositores lusos, tanto na música de câmara como nos concertos com o “tutti”, ou seja, a orquestra completa. Por outro lado, nos concertos com toda a orquestra, a OCM apresenta quatro estreias absolutas com igual número de compositores, nomeadamente dos madeirenses Francisco Loreto e Pedro Macedo Camacho, de Anne Victorino d’Almeida, e de um inglês que reside na Madeira há muitos anos, Melvin Burke.

“Temos também, em primeira audição moderna, duas Fantasias de um violinista português do século XIX, Francisco de Sá Noronha (…) conhecido como o Paganini e de quem iremos interpretar duas obras”, declarou.

Outro destaque desta temporada é o facto da OCM voltar a gravar, passados muitos anos: e fá-lo-á logo para duas prestigiadas etiquetas do mundo da música erudita, a Sony Classics e a Naxos, por convite de artistas destas mesmas etiquetas. Para a Sony Classics, serão gravadas obras de Francisco de Sá Noronha, nomeadamente as duas supracitadas Fantasias, e para a Naxos será gravada uma obra de Francisco Loreto.

As gravações, disse Norberto Gomes, serão realizadas na Madeira por técnicos de som das referidas etiquetas, mas ainda não se sabe precisamente onde.