Como se deve ir a jogo em Democracia

Os cidadãos estão confrontados com mais uma campanha eleitoral. Escusam de olhar para os políticos e programas com ar de enfado e de atirar a propaganda para o lixo. Se o fizerem, estarão a dizer aos candidatos concorrentes que são incompetentes e que preferem ser outros a escolher a vossa vida.

O chavão “os políticos são todos iguais” é compreensível, dado o histórico de vilanias e prosápia. Porém, não justifica que alguém se demita do seu dever de pensar. Não é porque os partidos mandam votar ou sequer porque a CNE publicita o ignorado dever cívico. É dever de cidadania de cada pessoa que prefere viver a vegetar.

Quem acompanha o percurso dos políticos e das suas medidas há 40 anos sabe de cor algumas coisitas e desperta para outras. Dos velhos e eternos candidatos. Dos novos e das suas vaidades, a cheirar ainda aos bancos das recém saídas faculdades. Mas, desculpem, são os cidadãos que devem colocar ordem neste jogo democrático. Não é só assinalar, indolentemente, a cruzinha no boletim de voto. É abrir os olhos e exigir aos políticos o trabalho de casa. Não termina ainda: depois de eleitos, é escrutinar, com legitimidade e fundamentação, o que já deveria estar a ser feito e foi esquecido. Façam-se novamente crianças e batam o pé até os donos da casa (e não da “coisa”) pública vos ouvirem. Isto dá trabalho, sim senhor, sobretudo a um povo que prefere cortar na casaca do outro à surdina e vitimizar-se de tudo e de todos do alto da sua sabedoria e dos seus interesses.

Não esperem que sejam apenas os jornalistas a mostrar quem é quem ou a usar a comunicação social apenas quando interessa. Os registos diários de campanha, tal como o velhinho menu dos candidatos, a começar por alguns hilariantes nomes de batismo eleitoral, falam por si. Se existem e pensam, façam-se ao largo, não reclamem dos políticos, mostrem-lhes como se deve ir a jogo em Democracia.