Rui Barreto pede a Marcelo para intervir na decisão da TAP de acabar com a tarifa de desporto

rui barretoO líder do CDS Madeira escreveu ao Presidente da República para solicitar a intervenção do Chefe de Estado relativamente à decisão da TAP de acabar com a tarifa de desporto, uma decisão que põe em causa a participação das equipas madeirenses nas competições nacionais, em virtude de envolver novos valores que avolumam as despesas dos clubes em matéria de transportes aéreos,

Rui Barreto começa por lembrar que “por decisão do Conselho de Administração da TAP, a empresa decidiu pôr fim à tarifa especial do desporto que permitia assegurar a presença das equipas insulares da Madeira e dos Açores nas provas nacionais, através de uma tarifa fixa no valor de 285 euros. A partir de agora os clubes passam a ter o mesmo tratamento que é dado ao passageiro comum e estão sujeitos aos mesmos preços exorbitantes das viagens que, note-se, nos últimos anos registam variações entre os 400 e os 700 euros”.

Desde que a notícia foi conhecida e ganhou notoriedade pública, no início de Junho, lembra Barreto, “várias posições foram tomadas e feitos apelos à companhia aérea para reverter a situação. Nesses apelos estão o presidente do Governo Regional da Madeira, os presidentes dos clubes regionais, líderes políticos e o próprio presidente da Liga de Futebol Profissional”.

A decisão da TAP é na opinião do CDS “incomportável com os valores e princípios constitucionalmente consagrados e podem colocar em causa a unidade nacional, a coesão social e a continuidade territorial. Quero, a propósito, recordar a V., Exa., Senhor Presidente, que esta decisão tem assomado à memória dos madeirenses tempos do Estado Novo em que as competições ditas nacionais não tinham a participação de qualquer clube das Ilhas. E mesmo quando houve abertura para que os clubes da Madeira passassem a integrar as provas nacionais, e já depois do 25 de Abril de 1974, no advento da democracia, um clube em concreto, o CS Marítimo, suportou durante anos os custos das suas deslocações ao continente, mas também pagou as despesas com as deslocações das equipas adversárias e de arbitragem”.

Refere o líder centrista madeirense que “esse tempo de má memória não poderá regressar, quase meio século depois de arduamente conquistado o direito à participação das equipas da Madeira nos nacionais em igualdade com todos os clubes do território continental. O facto é que ou a decisão da TAP é revertida ou os clubes da Madeira e dos Açores voltam a ser discriminados e afastados das competições nacionais. É por isso que senti necessidade de apelar a V. Exa. e à sua magistratura de influência para que encete todas as diligências que estiver ao seu alcance e ajude a anular a decisão da TAP”.

Diz ainda Rui Barreto que “a decisão da TAP compromete seriamente a participação dos clubes da Madeira nos campeonatos nacionais, significando também um retrocesso histórico no processo de coesão social do Portugal Insular e Continental. É inoportuna porque lesa a coesão territorial e é infame para a dimensão atlântica e da portugalidade que as ilhas da Madeira e dos Açores conferem à Nação Portuguesa. O desporto regional e os clubes da Madeira não querem tratamento de privilégio. Exigem apenas um tratamento igual ao que é concedido a todos os clubes do país, com o consequente reconhecimento da importância que o desporto representa para a coesão social e cultural de todo o espaço português, continental, insular e na diáspora”.


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