BE critica “restrições” do Governo Regional ao uso de transportes públicos

O Bloco de Esquerda veio considerar que o Governo Regional cria restrições ao uso de transportes públicos. Em comunicado hoje remetido aos órgãos de comunicação social, o BE aponta que há mais de sete mil novos utilizadores de passes sociais depois da descida dos preços em vigor desde Abril, mas considera que “seriam muitos mais se não fossem as restrições que o GR regional criou, como a exigência absurda de certidão de morada fiscal”.

“Outro mito que fica em causa é que os madeirenses não gostam de Transportes  Públicos. Não gostam porque são caros e continuam a ser os mais caros de todos o país. Com transportes mais baratos aumenta a preferência por transportes públicos”, referiu Paulino Ascensão, coordenador do Bloco.

“A política de mobilidade tem sido em prol do transporte individual – grandes investimentos em arruamentos e estacionamentos, muito caros os transportes públicos ficaram abandonados. Há que incentivar o uso de transportes colectivos e não o individual. O preço tem de baixar mais, tender para gratuito, como já acontece na Estónia e no Luxemburgo”, referiu.

Outro obstáculo, apontou, é a limitação da validade do passe entre a zona da residência e a do trabalho, que também não existe no resto do País. “Os madeirenses são tratados como cidadãos de segunda, pelo Governo Regional”, acusa. O passe de 40€, preconiza o Bloco, deve ser único e permitir circular em toda a ilha, sem restrições sem certidões de morada fiscal e a Horários do Funchal deveria servir toda a ilha da Madeira. “Esta é a proposta do Bloco para as próximas eleições”, acentuou o responsável.

Por outro lado, Paulino Ascensão refere que o Presidente do Governo disse que a HF vai manter-se pública e que assim funciona muito bem.   “Qual o critério para no Funchal a empresa do TP ser pública e nos demais concelhos serem privadas? Qual a coerência?”, questiona. “A Lei dá ao Governo o poder de decretar a HF como operador único em toda a ilha sem ter de indemnizar os privados. Se funciona bem no Funchal, iria funcionar em toda a ilha. Mas o Governo está mais preocupado com os interesses dos privados que com os dos madeirenses em geral”, acusa.

“Não esta previsto o passe família na Madeira – no continente custa 80€ para todos os membros do agregado familiar e permite circular em toda a região sem restrições. Os senhores do Governo Regional revelam uma sobranceria, desconfiança e mesquinhez em relação à população, como se toda a gente fosse abusar dos transportes públicos se não fossem as restrições absurdas que introduziu”, considerou.