O destino é insondável e traz-nos muitas coincidências, que foi o facto de ligar, através o meu marido e eu, as Artes com as Letras.
Conhecemo-nos ainda na velha Faculdade de Letras, à Rua do Século e quando casámos, de parte a parte, juntámos as Letras – meu pai, representante da literatura madeirense contemporânea através da sua obra literária, criando a sua escrita única hoje estudada
universalmente – a ESCRITA BENTIANA -, e o meu cunhado pintor Mestre António Soares, cuja vastíssima obra de pintura, desenho, cenografia, artes gráficas, figurinista para teatro e cinema, capas de livros, colaborador na “Ilustração Portuguesa”, “Presença”, cartazes, etc. Foi um dos grandes artistas plásticos portugueses, a par de José Pacheco, Eduardo Viana, Almada Negreiros Jorge Barradas, Leal da Câmara e outros mais – a chamada” Geração dos Modernistas portugueses dos anos 20 “.
Foi um autodidacta desde os seus 17 anos (1894 -1978)), membro da Sociedade de Belas Artes de Lisboa e ganhou o Grand Prix na Exposição de Paris em 1925, a par dos irmãos Henrique e Francisco Franco.
A sua obra está presentes em todos os grandes museus portugueses, com destaque do quadro “Natasha” e outros na Fundação Calouste Gulbenkian, no Museu de Arte Contemporânea, Chiado, onde há cerca de 6 anos se realizou uma grande Exposição dos Modernistas dos anos 20; nessa Exposição estiveram expostos os grandes painéis que encimam os tectos da Assembleia da República, quadros de várias personalidades que cederam obras, além de parte do espólio da família. Em Vila Viçosa está o grande retrato de D. Luísa de Gusmão (a réplica está na Galeria de família em Santo Tirso, cujo herdeiro foi o meu falecido marido).
No Banco de Portugal estão guardados quadros que António Soares pintara para a IBM de Nova York; o Millenium BCP tem na sua galeria também vários quadros. Há três anos houve uma Exposição no Museu do Teatro e Dança, em Lisboa, com a presença do Sr. Presidente da República, Prof.Dr.Marcelo Rebelo de Sousa,a qual esteve aberta ao público durante ano e meio.
Lamento apenas que, quando do centenário do seu nascimento em 1994, a Exposição de parte da obra foi ao Funchal por iniciativa da DRAC, na vigência da Sra. Escultora Maria Manuela Aranha da Conceição, nenhuma obra tivesse ficado na nossa terra, havendo este laço familiar que uniu Horácio Bento e António Soares.
Mestre António Soares foi condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, e Cavaleiro da Ordem de Malta.
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