CDS diz que Rafael Macedo “não teve prática negligente” e que o SESARAM “deixou a “bomba-relógio” da Medicina Nuclear em autogestão”

Audição Tomásia Alves9
O CDS refere que “os dados estatísticos que o SESARAM forneceu à Comissão de Inquérito da ALRAM estão incompletos”. Na imagem, a presidente do Serviço de Saúde quando foi ouvida em sede de comissão.

A Comissão de Inquérito parlamentar ao funcionamento da Unidade de Medicina Nuclear do SESARAM acaba de aprovar o relatório, com os votos do PSD. A oposição votou contra. O relatório conclui, como já referimos numa outra peça, que foram apuradas 23 acusações do médico Rafael Macedo, mas todas levaram o selo de “Não Provado”. Antes disto, o CDS, por exemplo, já tinha deixado claro que não é bem assim.

O Funchal Notícias teve acesso a um documento dos centristas madeirenses, que elaboraram a sua exposição sobre o assunto, como contributo para esta mesma comissão. Um documento que, entre outras coisas, diz que “os dados estatísticos que o SESARAM forneceu à Comissão de Inquérito da ALRAM estão incompletos e não permitem concluir se há ou não benefício financeiro na realização dos exames de Medicina Nuclear na Quadrantes ou, pelo contrário, no SESARAM. Os únicos partidos a levantarem de forma atempada estas preocupações foram o CDS-PP, em 2016, com o pedido de uma Comissão de Inquérito Parlamentar, e o JPP, com iniciativas parlamentares”.

O CDS refere que “as alegações do SESARAM e do PSD de que o Dr. Rafael Macedo foi “negligente”, “desinteressado”, “faltoso”, foram comprovadamente desmentidas, inclusive pela actual Directora Clínica do SESARAM”, mas também aponta que “as declarações de Rafael Macedo de que há colegas médicos “negligentes” e “situações de infecções hospitalares de gravidade e responsabilidades graves” por parte das clínicas, nada disto ficou provado e, pelo contrário, existiram algumas evidências de sentido contrário”.

A conclusão do partido liderado por Rui Barreto dá conta que “a Comissão de Inquérito Parlamentar correu com grande crispação e com nítida falta de distanciamento e imparcialidade de várias entidades, o que denota o forte cariz politizado da Comissão de Inquérito Parlamentar” e que “as declarações do Dr. Rafael Macedo são de 3 categorias: As que resultam do seu entusiasmo em defender a “sua” Unidade de Medicina Nuclear; As declarações de que o SESARAM tem muitas “lacunas e imperfeições” nos cuidados que presta aos utentes; As declarações graves contra outros médicos, nomeadamente de “negligência” que nunca conseguiu provar.

  • Conclui ainda o CDS,entre outras coisas que:
  1. O Dr. Rafael Macedo não teve uma prática clínica negligente ou descuidada, mas tem uma personalidade muito própria e alguma dificuldade em trabalhar em equipa e respeitar hierarquias.
  2. O Dr. Rafael Macedo e a Unidade em que trabalhava foram vítimas de inúmeras mudanças da Administração e das suas práticas nos últimos 6 anos.
  3. O SESARAM evidencia uma péssima gestão dos recursos humanos e deixou a “bomba-relógio” da Medicina Nuclear em autogestão. Quando “explodiu” na comunicação social, procurou então um bode expiatório (o Dr. Rafael Macedo) e nada questionou quando esteve diante do seu principal responsável (Dr. Miguel Ferreira).
  4. Não foram provadas situações de promiscuidade entre público e privado, tanto mais que os utentes realizaram sempre os seus exames.
  5. O Governo regional, SESARAM, comunicação social, Rafael Macedo, Miguel Ferreira e classe médica em geral saem “chamuscados” desta Comissão de Inquérito Parlamentar.

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