“O Iniciativa Liberal é um partido europeísta Quanto Baste”

Fotos Rui Marote.

Nuno Morna é uma figura reconhecida pela sociedade madeirense. Não apenas por ser filho da saudosa Maria Aurora mas pela participação cívica/cultural.

Abraçou, em 2017, um novo partido político, o Iniciativa Liberal (IL) e é o representante regional na lista nacional do partido às Europeias de 26 de Maio.

Em entrevista ao Funchal Notícias disse que o partido entra na corrida em nome de “mais liberdade política, mais liberdade económica e mais liberdade social” e posiciona o IL como “um partido europeísta QB”.

FUNCHAL NOTÍCIAS: O que leva o partido “Iniciativa Liberal”, na Madeira, a concorrer às Europeias de 26 de Maio?

NUNO MORNA: O ano de 2017 marcou indelevelmente o ressurgimento de um partido de cariz liberal no panorama político português. Desde o início da ditadura salazarista que isso não acontecia pois a União Liberal de Cunha Leal foi ilegalizada pelo regime da época. Os liberais portugueses foram opositores do Estado Novo. Lutaram contra ele integrando as candidaturas de Norton de Matos e de Humberto Delgado.

Estamos presentes nas próximas eleições porque somos um partido reconhecido, porque somos europeístas que entendem que o espaço da UE é um desígnio nacional e porque, ideologicamente, queremos levar a mensagem liberal a todos os portugueses. Uma mensagem que tem como fundamental o pedir mais liberdade política, mais liberdade económica e mais liberdade social.

Não contem connosco para confundir as pessoas na campanha que se aproxima. Vamos falar da União Europeia. Do que dela queremos, dos seus desafios, contra populismos e extremismos venham eles de onde vierem. Não olhamos para estas importantes eleições como se de umas primárias se tratassem tendo em vista as eleições autonómicas. Temos demasiado respeito pela integração europeia para seguirmos esses caminhos enviesados.

FN: O 3.º lugar na lista nacional é óptimo, é o desejável ou o possível?

NM: É o óptimo, é o desejável e é o possível. É óptimo porque dá a ideia a todos de que a Iniciativa Liberal, como partido nacional que é, respeita as estruturas criadas nas autonomias insulares colocando um madeirense no 3º e uma açoriana no 4º lugar. É o desejável porque seguir numa lista os nomes de Ricardo Arroja e Catarina Maia é uma enorme honra seja lá para quem for. E é o possível porque revelador de uma estrutura onde imperam mecanismos de representatividade que levam muito a sério a descentralização e as formas de poder a ela associadas.

Não podemos esquecer que outra madeirense, a Sara Jardim, integra a lista da IL no 10º lugar. Mais uma vez isto responde com clareza ao respeito tido pelas estruturas nacionais em relação às autonómicas.

Um outro aspecto que considero de grande importância tem a ver com a total paridade na candidatura: 50% de mulheres e 50% de homens.

FN: O IL é um partido europeísta ou eurocéptico?

NM: O IL é um partido europeísta QB. Defendemos uma União de estados soberanos. Estados esses que decidam da sua defesa, dos seus negócios estrangeiros, da sua política fiscal e económica e da sua segurança interna. O processo terá sempre que ser de integração voluntária. Ninguém deve ser obrigado a dar mais da sua soberania do que aquilo que entende ter que dar.

A UE tem que se assentar sempre nos princípios da subsidiariedade e da descentralização. O princípio da subsidiariedade que é inerente à nossa matriz judaico-cristã e greco-romana, onde se alicerça a construção de uma Europa que se quer mais interventiva, mais respeitadora das idiossincrasias, mais justa e equitativa: “Nada deve ser feito por uma maior e mais complexa organização que possa ser feito tão bem ou melhor por um modelo organizacional mais pequeno, simples e eficiente”.

A subsidiariedade deve funcionar como uma purga do centralismo burocratizante que, na sua essência, responsabiliza os cidadãos e a sociedade no sentido de que sejam estes a encontrar as soluções para os seus problemas. Quanto menos for exercida a subsidiariedade mais centralismo e burocracia teremos, o que emperra o funcionamento das instituições e, logo, da democracia.

E não podemos ter subsidiariedade sem descentralização. Urge uma Europa dos cidadãos onde o poder de decisão seja colocado nas mãos destes e não nas dos burocratas de Bruxelas.

“Pensar global e agir local”, tem que ser o lema da UE.

FN: Está prevista a deslocação à Madeira do líder do partido e do cabeça-de-lista às Europeias? Quando?

NM: Ricardo Arroja, cabeça de lista às Eleições Europeias, estará na Madeira entre os dias 3 e 5 de Maio. O programa da sua visita será revelado oportunamente.

Quanto ao Presidente da Comissão Executiva, certamente que estará entre nós por alturas da campanha para as Eleições Autonómicas de Setembro.

E é assim que deve ser.

FN: O que pode a Europa fazer pela Madeira e o que pode a Madeira fazer pela Europa?

NM: A Europa pode fazer pela Madeira o que tem feito até aqui, melhorando a articulação e o modo como somos ajudados. Aqueles que como eu têm um pouco de mais idade não terão que fazer um grande exercício de memória para recordar o estado em que estávamos em 1986 aquando do acto de entrada na CEE. Um país desestruturado, uma Madeira onde se demorava a ir do Funchal ao Porto Moniz mais de 6 horas de transportes públicos, um aeroporto minúsculo, um único porto que servia tanto para barcos de cruzeiro como para descarga de contentores. Ainda havia muitos sítios sem luz, sem água canalizada e sem esgotos. Os acessos aos sítios eram complicados e muitas vezes feitos a pé. Foi a adesão que permitiu que muitos fundos fossem canalizados para a Madeira de modo a nos proporcionar desenvolvimento.

Esta foi a parte boa. O mau foi o modo como se geriram os fundos comunitários. Fico sempre com a sensação de que com o mesmo se tinha feito muito mais. A febre do betão levou a um surto de construção megalómano e perfeitamente desnecessário. Construiu-se muita porcaria que só tinha como objectivo as inaugurações para encher o umbigo de Alberto João Jardim. 4834 Gabou-se o próprio. A Madeira ficou cheia de monos como, por exemplo em relação ao Porto Santo: o Penedo do Sono, Kartódromo e Estádio de Desportos na Areia, e na Madeira, a inenarrável Marina do Lugar de Baixo, os Parques Empresariais, o Tecnopólo, Piscinas e Pavilhões, inutilidades de betão por todo o lado.

Surgiram do nada fortunas e enriquecimentos que são precisos explicar. Favoreceram-se uns em detrimento de outros. (cont.)


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