Bispo do Funchal não vai criar comissão para acompanhar casos de abuso sexual

Não há casos suficientes para justificar, na Madeira, a criação de uma comissão para acompanhar casos de abuso sexual na Diocese. Foi isso mesmo o que disse o novo Bispo do Funchal, D. Nuno Brás, quando chegava à Assembleia Plenária dos Bispos Portugueses, que decorre até esta quinta-feira, 2 de maio, em Fátima.

As declarações foram reproduzidas pelo Observador e indicam que as declarações do bispo surgem num contexto em que posição contrária foi assumida pelo Patriarcado de Lisboa.

D. Nuno Brás diz que, relativamente ao padre Anastácio Alves, supostamente envolvido em casos que estão sob investigação policial, não existe qualquer processo em curso no âmbito da Diocese, sublinhando que está a aguardar “a investigação da Polícia Judiciária. A PJ está a fazer investigações, por isso não vale a pena haver na diocese quem se substitua à PJ”.

O Observador lembra que “o padre Anastácio Alves foi alvo de denúncias de abusos sexuais em 2005 e 2007. Das duas vezes acabou ilibado: na primeira vez, a vítima voltou inesperadamente atrás com a palavra; na segunda vez, o relato do menor que teria sofrido os alegados abusos não convenceu as autoridades. Mas, das duas vezes, a diocese madeirense nunca o investigou (apesar de o Código de Direito Canónico mandar investigar), limitando-se a mudá-lo — primeiro de paróquia, e depois de país”.

Os abusos são um dos temas centrais desta assembleia plenária, cujos resultados deverão ser conhecidos na quinta-feira.