Partiu o professor Inácio…

O professor Inácio Freitas partiu com a mesma discrição e simplicidade que sempre o caracterizaram ao longo do seu percurso de vida. Como todas as perdas, apanhou a sua Escola, o “Liceu”, de surpresa. Justamente, porque o Inácio passava como a brisa, suave e indizível, apenas com elevada cortesia para com os alunos e colegas e uma infinita resignação às tempestades da vida.

Todos conhecem o grande amor do Inácio à música, aquela companheira fiel que o animava nas sinuosas caminhadas da existência humana. A sua voz de apaixonado tenor animou alguns recitais da Jaime Moniz e até algumas celebrações dos seus amigos mais seletos. Nesta cumplicidade com a música, sabemos que, hoje, a eternidade onde repousa não é feita de silêncios mas de uma orquestra de belos sons para receber uma Boa Pessoa.

As partidas tornam-se banais com os discursos prolixos. Inácio, sempre cheio de mesuras para não magoar ninguém, e amante confesso do uso rigoroso da palavra, por amor à Língua Portuguesa que ensinava nas suas aulas, não gostaria que perdessem tempo consigo. Tão pouco gostaria de ver alguém sofrer por sua causa. Entristecia-se com o sofrimento e transtorno que poderia causar à família, aos amigos, perante a doença silenciosa e implacável… Mas ele sabe o vazio que deixa naqueles que o acompanharam na dor labiríntica da doença que o fazia pasmar, num repouso forçado e extenuado, mesmo quando dizia, “já basta de sofrimento!”.

Neste momento, recordar o Inácio será talvez imaginá-lo a erguer a sua voz ímpar nos céus, ladeado de um coro de anjos que, depois da família, certamente o ampara na glória de Deus.

Descansa em Paz, Inácio, dizem hoje os amigos.

À família enlutada, o FN endereça sinceras condolências.