
PSD, PS e CDS são iguais, mais coisa menos coisa, uma realidade parecida às situações em que o povo designa de “farinha do mesmo saco”. É esta a ideia que Quintino Costa, líder do PTP Madeira eleito por unanimidade no último congresso, quer deixar bem clara para posicionar o seu partido nos três atos eleitorais deste ano, as europeias de 26 de maio, as regionais de 22 de setembro e as nacionais de 6 de outubro. Coloca o Partido Trabalhista de fora de qualquer projeto governativo, não é para isso que “corre”. Os “voos” são mais baixos, mas nem por isso menos ambiciosos.
Está na forja uma coligação, ainda sem grandes pormenores, para ir a votos e eleger deputados. É a luta pela “sobrevivência” dos mais pequenos face a uma quase certa bipolarização. O líder do PTP aponta o dedo ao CDS, que se assume como o chamado “fiel da balança”, diz que parece aqueles programas televisivos da moda “quem quer casar com…neste caso com o CDS”. Considera mesmo que “o CDS abdicou de ser aquela segunda força política da Região, embora acredite que continuará a ter um número razoável de deputados”.
Postura do CDS liberta os outros partidos
Diz que “essa postura liberta os outros partidos dessa responsabilidade de se casar com qualquer um, deixando caminho aberto aos outros para uma campanha mais agressiva, mais verdadeira, onde os reais problemas das populações são realmente postos no terreno sem preocupações de pensar na viabilidade de um governo. A viabilidade de um governo, na Região, neste momento, é uma responsabilidade o PSD, do PS e do CDS”.
Numa perspetiva virada para a abordagem deste ano eleitoral, a começar pela Europa, Quintino Costa diz que “o PTP tem a plena noção que as eleições europeias contam com uma especificidade própria, que exige muito dos quadros dos partidos, pelas temáticas desenvolvidas. São eleições para marcar terreno, mais propriamente presença, pelo que os nossos objetivos estão apontados para demonstrar que o PTP é um partido de quadros e não é por acaso que na lista à Europa vão cinco candidatos da Região. É o único partido a nível nacional que dedica tanta representatividade à Madeira. A União Europeia é demasiado importante para que fiquemos de fora e, por isso, estaremos presentes com a Elsa Mata como número dois. É um abrir portas a pessoas que habitualmente não aparecem nas primeiras filas e a demonstração que o partido está vivo e que tem futuro”.

Aquilo que constitui a matriz orientadora do PTP “não vai mudar muito de eleição para eleição”, refere sublinhando que há uma identidade daquele partido que conseguiu ter representatividade parlamentar, através da deputada Raquel Coelho. “Todos os dias há duas, três, quatro, equipas no terreno e isso não passa para a comunicação social. E em época eleitoral, intensifica-se o contacto direto”.
Coligação anunciada só depois das eleições europeias
As eleições europeias são as mais próximas, mas as regionais são o foco do Partido Trabalhista. Quintino Costa revela a intenção de “fazer uma coligação, de partidos pequenos, já mantivemos diversos contactos nesse sentido, mas chegámos a um entendimento que só deveriamos assumir esse acordo depois das eleições europeias. Os partidos estão concentrados nas primeiras eleições, mas já estamos a pensar nas eleições regionais e numa estratégia que representa mais valia para uma futura representação parlamentar. Posso dizer-lhe que o Gil Canha, hoje deputado independente, vai fazer parte do nosso projeto para as eleições regionais, ele próprio já assumiu o apoio à candidatura do PTP, que será encabeçada pela Raquel Coelho. E é pena que o Gil Canha, apesar de aceitar integrar a lista, não queira ir em lugar elegível. Para nós, a posição do amigo Gil seria o número dois da lista para as eleições regionais. Temos pontos comuns no combate político, como sejam o combate ao monopólio dos portos, a exigência de lutar contra a corrupção, a defesa da democracia. Há uma outra divergência mais ideológica, mas nada de grave. Há mais pontos que nos aproximam do que aqueles que nos distanciam”.
Bipolarização muito grande
Aquela postura de muitos partidos que apontam objetivos para o patamar máximo que é possível, ou seja ganhar, situa-se no PTP como uma questão de princípio mas muito realista. Quintino Costa diz que é importante “sermos sérios”. Defende que não chega “dizer que queremos mais e melhor, é muito genérico. São slogans velhos. E temos a plena consciência que haverá bipolarização nas eleições regionais, já se registaram algumas situações episódicas, mas nada disto que se passa hoje, A bipolarização é muito grande”. Compara ao que se passou nas eleições autárquicas, na Câmara do Funchal, onde essa bipolarização acabou mesmo com a representação, por exemplo, da CDU, que ficou reduzida a um eleito para a Assembleia Municipal. É natural que, num quadro desses, os pequenos partidos fiquem prejudicados, mas isso não pode nem vai atormentar o PTP”.
Quintino Costa diz, no entanto, que a situação não pode ser colocada de forma leviana ao eleitorado. Se for para falarmos a sério, não há efetivamente qualquer bipolarização, uma vez que para existir isso era preciso que estivessemos perante dois partidos diferente. E não são, aprovam as mesmas coisas, defendem as mesmas coisas, um oferece a fralda, outro oferece o penso, mas a diferença é pouca”.
JPP é a primeira via em Santa Cruz
E o Juntos pelo Povo, que já se afirmou como a terceira via? Não conta nas contas do PTP? Ainda não falou disso! A estas observações Quintino Costa responde que “o JPP em Santa Cruz é a primeira via. No Funchal, na coligação para a Câmara, enquanto outros recusaram, eles aceitaram ser a segunda via, demorou dois ou três meses e demitiram-se. Nos 600 anos, queriam tomar pulso em Santa Cruz, o caminho foi a demissão. Nós, PTP, não fazemos isso. Também não concordámos com o caminho que a primeira coligação no Funchal estava a tomar, mas ficámos até ao fim e colocámos lá a nossa assinatura, mesmo com grandes divergências. Não abandonámos o barco. E mesmo numa altura muito frágil da Coligação Mudança, que algum dia ainda será contada, se o PTP abandonasse o barco, não havia um orgão autárquico que se salvasse. E não era por questões jurídicas, era mesmo por questões políticas. Como aconteceu, de resto, no Porto Santo, em que a presidente da Assembleia Municipal abandonava os trabalhos em divergência com o seu partido, e nunca a Assembleia deixou de funcionar por causa do PTP”.
Temos responsabilidades perante a população
Temos responsabilidade perante a população e perante o regime, independentemente do partido que governa. O eleitorado não tem culpa das asneiradas e do olhar para o umbigo que alguns eleitos têm. Quando um candidato vem dizer “eu sou a terceira via, contem comigo” e quando chega a hora de contar com eles abandona os cargos, então cria instabilidade junto dos eleitores. O PTP não defende isso, defende estabilidade e contribuirá para isso”.
Colocado perante a ligação do PTP a José Manuel Coelho, em tempos confundindo-se identidades, de partido, por um lado, e figura controversa, por outro, o atual responsável pela estrutura regional não foge à questão sobre se há um PTP de Coelho e um PTP de Quintino? “Nada disso. O José Manuel Coelho foi um fenómeno, foi PTP como podia ter sido qualquer coisa. Foi um fenómeno que assentou, primeiro no PND, depois na candidatura às presidenciais, depois no PTP. Mas foi claramente um fenómeno. A diferença foi que, ao contrário da passagem pelas outras situações, tentámos, no PTP, que essa presença fosse traduzida em algo de positivo que ficasse para o futuro, que quanto acabasse o fenómeno em si, que não o político José Manuel Coelho, que se depender de mim vai continuar muitos anos na vida política ativa, mas que ficasse algo de bom para o partido. E acho que acabou por ficar o PTP, com a sua identidade, como provou o último congresso, onde foi decidido alterar a direção. Mas devo dizer que eu só aceitei este desafio desde que o José Manuel Coelho estivesse representado nos orgãos do partido, o que realmente aconteceu, é assim que está”.
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