Trapalhão saiu hoje à rua depois de adiado e mostrou acutilância nas críticas… à Saúde, à TAP, à política

Fotos Rui Marote.

Depois de adiado de terça-feira passada para hoje, por razões meteorológicas, o cortejo trapalhão saiu à rua.

Ninguém escapou à comédia dos foliões.

Num cortejo Trapalhão é difícil manter a ordem porque a folia toma conta das matrafonas, travestis e outros foliões. A imaginação é o limite.

O vento que ameaçou estragar a festa na passada terça-feira nem uma brisa hoje soprou.

Os trapalhões vieram de diferentes partes da ilha.

Alguns dos grupos já haviam participado noutros carnavais, domingo passado, nas suas localidades, designadamente Estreito de Câmara de Lobos, Campanário e Caniço.

Vieram da Ponta do Sol, do Jardim da Serra, de Água de Pena, de Santana. Enfim.. de todos os lados.

Muito material reciclado. Bairros habitacionais, centros comunitários, associações e grupos participaram nas trapalhadas.

Grávidas, bonecas, dominós, romanos, bandas de música disfarçadas, carros alegóricos mal-amanhados, tribos africanas, Obélix, Cleópatra, diabos, abelhas. Enfim, de tudo.

Alusões à Europa, ao Brexit, à TRAP -Trapalhada Aérea Portuguesa pelos preços praticados pela TAP e pelas dificuldades no aeroporto provocadas pelo vento.

Alusões à Saúde, à doença, à política, à religião, à água, às alterações climáticas, à espetada, aos 600 anso da descoberta da Madeira.

Piadas sobre “arroz de lapas” (vá lá saber-se porquê!), sobre a polémica do gado na serra, sobre as eleições que aí vêem..

O Carnaval Trapalhão seguiu o percurso do ano passado, com saída na Avenida Francisco Sá Carneiro e animação final, com entrega de prémios, na Praça do Povo.

Os que quiseram concorrer aos prémios tiveram de se inscrever junto ao edifício da Praça do Mar. Nas categorias de grupos, pares, individual, crianças, rei trapalhão e travesti.

O cortejo satirizou tudo e todos. A ideia é chocar com as roupas, os adereços, as imitações, os slogans.

As Avenidas do Mar e Sá Carneiro transformaram-se num divã, onde os foliões deitaram cá para fora um ano de recalcamentos.

Diversão, humor, doentes, bruxas, interação com o público.

É a população a mostrar que está atenta à vida política regional num ano onde os eleitores terão de ir três vezes às urnas.

Outras figuras públicas foram visadas no cortejo e a festa tomou conta da Praça do Povo, onde os foliões depois descansaram da folia.

No final do corso, equipas de limpeza da Câmara do Funchal recolheram o “espólio” da folia.

Recorde-se que, no ano passado, o primeiro prémio do Trapalhão foi para um grupo que satirizou a “ignoração do ferry” para o continente.

Outros prémios brindaram também os foliões do cortejo Trapalhão, com destaque para os criativos do padre maroto, os “miras” (regresso dos emigrantes da Venezuela) e o melhor travesti.

Refira-se que este Trapalhão representa o cortejo que se fazia originariamente, de forma espontânea, na Rua da Carreira.