Carvalheiro acusa Associação de Patinagem da Madeira de impedir a sua equipa de hóquei em patins de usar o Pavilhão dos Barreiros

“Estranheza, estupefacção e incompreensão” são os sentimentos da direcção do Clube de Futebol Carvalheiro, ao referir hoje, em nota de imprensa, que a Associação de Patinagem da Madeira (APM) impediu a sua equipa de hóquei em patins, que representa a Região no Campeonato Nacional da 3.ª Divisão, zona norte B, de utilizar o Pavilhão dos Barreiros para a realização dos seus jogos na condição de visitado, indeferindo um pedido efectuado por escrito na manhã do dia 31 de Outubro.

O clube refere que, num comunicado à APM, alegou diversas razões para este pedido, nomeadamente:
“1.º – O Pavilhão dos Barreiros é o pavilhão principal das modalidades tuteladas pela APM, numa atribuição da Direcção Regional da Juventude e Desporto (DRJD), onde actuam os clubes do Funchal que não têm espaço próprio;
2.º – Esta alteração contribui para a redução das despesas de todos os intervenientes na competição, mormente a nossa equipa, a equipa visitante e a de arbitragem;
3.º – Esta alteração permite a presença de mais público no pavilhão e uma maior promoção da modalidade, visto que muitos dos nossos sócios e simpatizantes, assim como outros adeptos da modalidade vêm na deslocação para o Curral das Freiras um entrave para assistir aos jogos;
4.º – O CF Carvalheiro é um clube sediado no Funchal, pelo que devem as suas competições ser organizadas, de preferência, no seu concelho;
5.º – O piso do Pavilhão dos Barreiros é o que reúne, na Madeira, as melhores condições para a prática de jogos oficiais de hóquei em patins.
6.º – Ao realizar os jogos no Pavilhão dos Barreiros, o CF Carvalheiro irá igualmente reduzir despesas de transporte, que têm sido significativas por estarmos a treinar e a jogar no Pavilhão do Curral das Freiras”.
No entanto, ao primeiro pedido do CF Carvalheiro, datado de 31 de Outubro, ou seja, faz esta quarta-feira uma semana, respondeu prontamente a APM que iria promover “uma reunião com todos os Clubes Associados, que utilizam o referido recinto desportivo, para saber da sua posição relativamente ao solicitado, em virtude da utilização regular, para a competição nos escalões de formação“.
“Num segundo contacto, e já relativamente à marcação do jogo nº 750 do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão, entre o CF Carvalheiro e o Termas OC, agendado para domingo, dia 11, a APM justificou a impossibilidade de deferir o pedido devido à realização de um jogo de sub-15, agendado para as 15 horas no Pavilhão dos Barreiros, entre o HCM e o GD Estreito.
Não obstante determinar a DRJD que a competição nacional tenha prioridade sobre a competição regional, o CF Carvalheiro, num pressuposto de colaboração com os demais clubes regionais relativamente à sua actividade, chegou a um entendimento com o clube adversário, o Termas OC, para o adiamento do jogo para as 17 horas, de forma a viabilizar a alteração do mesmo para o Pavilhão dos Barreiros, sem interferir com o referido jogo de sub-15”.
Refere o Carvalheiro, na sequência desta diligência, respondeu a APM, em e-mail enviado esta terça-feira, dia 6, às 13:33 horas, “que, afinal (!), às 17 horas, “o espaço solicitado está atribuído ao nosso filiado, Hóquei Clube da Madeira, e o mesmo tem actividades marcadas para o dia e hora solicitados“.
Ora, a agenda semanal das actividades do fim-de-semana do hóquei em patins, publicada ontem, dia 6, na página oficial da APM, não refere nenhuma actividade do HCM para o Pavilhão dos Barreiros no dia 11, domingo, nem em momento algum, tal actividade havia sido referida pela APM”, critica o clube.
“Finalmente, e depois de sucessivas desculpas e argumentos, veio a APM responder que “o Clube Futebol Carvalheiro, apenas por motivos de impedimento da utilização do Pavilhão do Curral da Freiras, distribuído ao mesmo, fará a alteração de algum jogo, para qualquer outro recinto desportivo, distribuído a esta Associação e que esteja disponível à hora e à data da realização do mesmo“, acrescentando ainda que “os espaços desportivos, geridos por esta Associação, são distribuídos por época desportiva em reunião com os Clubes Associados, que salvo alguma excepção serão alterados, o que não é o caso“.
O CF Carvalheiro entende que esta última resposta “não só revela uma prepotência e falta de visão nada condizente com os deveres e obrigações da entidade que mais deveria defender a modalidade e os seus filiados, como contraria o Regulamento geral do Hóquei em Patins da Federação de Patinagem de Portugal, que refere, no seu artigo 60.º, que é “atribuída aos clubes a faculdade de indicar um recinto alternativo”, bem como alterar o local habitual do jogo “por livre decisão do clube visitado“, contando que daí não decorram “acréscimos de despesas com a arbitragem” nem “acréscimos de despesas suportadas pelo clube visitante“, o que, a acontecer, seriam suportadas pelo clube visitado. Ora, no caso em apreço, como se facilmente compreende, acontece justamente o inverso”.
Já sobre a aludida reunião com os Clubes Associados para a distribuição dos espaços desportivos geridos pela Associação, questiona o CF Carvalheiro:
“1.º – Uma semana depois do nosso pedido ter dado entrada nos vossos serviços, ainda não vos foi possível reunir ou contactar os clubes que utilizam o Pavilhão dos Barreiros sobre este nosso pedido, conforme prometeram?
2.º – Porque é que o CF Carvalheiro, que efetuou a sua filiação a 12 de Julho de 2018, ainda antes da reunião entre a DRJD e as diversas Associações para a distribuição dos espaços desportivos realizada a 13 de Julho de 2018, não foi convocado para a aludida reunião com os clubes filiados, ficando assim impedido de então concorrer para” esses mesmos espaços quer para a sua equipa sénior quer para a sua escola de formação, conforme temos vindo a reivindicar?
Por outro lado, aos diversos clubes que tiveram conhecimento destas comunicações, em particular aqueles que utilizam o Pavilhão dos Barreiros, questiona o CF Carvalheiro se não consideram legítima e fundamentada a sua pretensão, que não pretende de forma alguma colidir com a actividade dos demais clubes, mas tão somente ser mais um parceiro na elevação do hóquei madeirense…
O CF Carvalheiro diz ter dado também conhecimento deste assunto à DRJD, com o intuito de perceber – ainda que a decisão final possa ser da exclusiva responsabilidade da APM – qual a opinião do Governo Regional sobre esta sua pretensão, considerando a regulamentação em vigor, os eixos principais da política desportiva regional, e a defesa dos superiores interesses do desporto madeirense.
Numa das suas missivas, o CF Carvalheiro assume-se apenas como “um instrumento ao serviço das entidades oficiais e da sociedade civil rumo à prossecução de propósitos comuns, pelo que saberá – como sempre o tem feito – acatar as decisões superiores esperando, contudo, que prevaleça o bom senso, a equidade, a isenção, a justiça e a defesa do interesse comum”.