Costumes e tradições que o tempo apagou…

Nos meados do século passado, na nossa Ilha, no norte donde vêm as minhas raízes, lembra-me que os meus primos mais velhos e mais chegados, mesmo o meu Pai, saudavam a minha avó Firmina dizendo: Madrinha, a sua bênção, tia, a sua benção, mãe, a sua bênção, e por aí adiante. Era um costume que era como um desejo de um dia feliz e lindo de se ouvir. Hoje, infelizmente, as pessoas mal se falam e em lugares públicos são ainda mais desagradáveis, a ponto de ignorarem as mais elementares regras de educação, esquecendo que os idosos, as futuras mães, e as que já trazem bebés ao colo, têm prioridade.

Curiosa, também, era como as pessoas se saudavam: “Então está bom?” E a resposta era na maior parte das vezes – “Estou, sim, obrigado!”.

As tradições vão desaparecendo e, isso é pena, como por exemplo o “Belamento” na  Páscoa, muito jogado no meu velho Liceu de Jaime Moniz entre duas ou mais colegas, em que se “acordava” uma certa quantidade de  amêndoas, antes de acabarem as aulas do 2º período escolar; e quem mais vezes dissesse a palavra “Belamento” era depois a vencedora das amêndoas.

Mas, a que mais recordo com saudade era a madrugada do dia 1º de Dezembro em que os alunos finalistas do Liceu vinham em grupo, com as capas pretas ao vento, dar vivas aos professores que mais admiravam e terminavam cantando o Hino da Maria da Fonte. E não se calavam de dar vivas até que o professor homenageado não viesse agradecer-lhes à janela; lembra-me bem de alguns deles: Carlos Ornellas Monteiro, Rui Lima, Rebelo Quintal, Pontes Leça e muitos outros.

Eu andava na 4ª classe na Rua da Conceição, na Escola da minha prima Profº D. Maria do Céu G. Vieira, juntamente com outras duas filhas de colegas do meu Pai. Eram elas a Sacuntala, filha do professor de Matemática, Dr. Lúcio de Miranda, e a Teresinha Mendonça e Costa, filha do professor de Ciências, Dr. Mendonça e Costa. Durante anos contactámos, por telefone, mas não voltámos a ver-nos. Porém, quando combinámos um encontro em Lisboa, a Sacuntala morreu e, agora, nós duas estamos a projectar uma viagem à Ilha… Há momentos na vida que nunca se apagam.

*Texto segue antiga ortografia.