Há condições para a Festa do Monte sem fogo, com regresso das bandas e retirada dos plásticos no local da tragédia

monte plástico
Raimundo Quintal defende que o plástico deveria ser retirado do local onde foi arrancado o carvalho.
monte muro
Há o alerta para um muro sobranceiro ao Largo da Fonte, junto ao Café do Parque, com fissuras.

O geógrafo e investigador madeirense Raimundo Quintal, ex-vereador da Câmara do Municipal e figura interventiva nas questões ambientais, reafirmou o que já havia levado à Assembleia Regional, numa audição com os deputados da 5ª Comissão Especializada sobre o estado do Parque Municipal do Monte, o chamado Parque Leite Monteiro. A queda de uma árvore, que há quase um ano levou a morte ao Largo da Fonte, reaviva más memórias com a Festa a chegar.

A apreensão é naturalmente grande e as interrogações colocam-se. Estará a zona segura? Foram feitas as diligências necessárias para que a Festa do Monte decorra, este ano, normalmente, com ambiente de festa, mesmo sendo impossível apagar o sentimento de pesar pelas vítimas e o respeito pelo sofrimento das famílias? A Câmara já disse que há condições, com restrições de fogo e de som, o que à partida condiciona o arraial, ainda que seja importante salvaguardar situações em nome da segurança.

Raimundo Quintal defendeu, junto dos deputados, que o “parque romântico” deve merecer maior atenção, com a monitorização frequente “da qualidade sanitária das árvores e o estado dos muros de suporte”. Quanto à festa propriamente dita, considera estarem reunidas as condições para o arraial em honra de Nossa Senhora do Monte “desde que não haja rebentamento de fogo e que o coreto do Largo da Fonte volte a ser palco para bandas filarmónicas”.

Monte arvore podada
Segundo Raimundo Quintal, um exemplo de árvore podada nos últimos dias de maio, que devido à sua localização deveria ser abatida.

Na sua página da rede social Facebook, o geógrafo reafirmou que há dois casos que exigem reflexão, “um carvalho com a parte inferior do tronco muito fragilizada e um muro sobranceiro ao Largo da Fonte, junto ao Café do Parque, com fissuras que poderão estar associadas à expansão das raízes dum plátano de grande porte localizado no patamar superior”.

Um outro aspeto de particular importância, na perspetiva de Raimundo Quintal, prende-se com o respeito que em sua opinião deveriam merecer as vítimas mortais e os que ainda sofrem, física e psicológicamente, considerando que, nesse contexto, “deveriam ser retirados urgentemente os plásticos que cobrem o local de onde foi arrancado o carvalho e que naquele patamar seja plantado um folhado, em homenagem aos que pereceram”.