Albuquerque e Prada apostam forte no atletismo

Foto: Rui Marote

Miguel Albuquerque é uma pessoa entre muitas, e não é por fazer uma coisa qualquer que se tem obrigatoriamente de tornar notícia. Mas, afinal, trata-se do nosso presidente do Governo Regional, e o facto de andar a apostar forte no atletismo, seja em Nova Iorque, seja no Funchal, sempre é digno de um apontamento na nossa rubrica “Imagem”. Afinal, precisamos que os nossos governantes estejam saudáveis, supõe-se, para que possam desempenhar bem as suas funções. Albuquerque é, no entanto, é um corredor discreto. Procura não chamar muito a atenção e, de boné e óculos escuros, acompanhado de Paulo Prada, administrador do Grupo Pestana, toca a abalançar-se, de manhã bem cedo, a cumprir uns quantos quilómetros em passo de corrida. O seu colega de governo com a pasta da Saúde, Pedro Ramos só tem de agradecer-lhe publicamente por contribuir para divulgar a prevenção, com esta aposta nos “cuidados de saúde primários” que tratam bem do corpinho e sempre aliviam potenciais aumentos futuros das listas de espera de cirurgia ou de tratamentos para outras maleitas.

O Estepilha é um fervoroso apoiante do exercício físico e não está aqui para gozar com o nosso presidente, mas que o “disfarce” de Albuquerque e a sua corrida com Paulo Prada quase lembra as corridas dos jogos paralímpicos, com um invisual acompanhado do seu guia, lá isso lembra…

Por outro lado, é engraçado como os tempos mudam. Somos suficientemente velhos para recordar como, antigamente, quem era visto a correr nas ruas do Funchal era olhado de lado, quase como se fosse um doente mental, ou alguém a fugir de qualquer coisa. Também andar de bicicleta na cidade era um ai jesus. Quem o fizesse parecia um marciano, e até precisava de usar chapa de matrícula e ter carta.

Hoje em dia, quem não corre ou não anda vigorosamente no Funchal ou arredores é que é considerado estranho, quiçá deficiente. “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se a confiança. Todo o ser é feito de mudança…”, cantava José Mário Branco, com inspiração camoniana… Lírica mais tarde adaptada por uma coligação também na nossa urbe.