PS apresenta na ALRAM voto de pesar pela morte do bloquista João Semedo

Depois do Bloco de Esquerda, é agora o grupo parlamentar do PS-Madeira que manifesta o seu “profundo pesar” pelo falecimento do ex-dirigente bloquista João Semedo, aos 67 anos de idade, depois uma luta contra o cancro.

“João Semedo, médico e dirigente do Bloco de Esquerda, nunca disse ‘não’ às suas lutas. Travou até ao fim a defesa pelo “direito a morrer com dignidade”, salienta o PS, que endereçou a Tranquada Gomes a sua proposta de um voto de pesar na Assembleia Legislativa Regional.

“Depois de iniciar a sua vida política no liceu, com a tragédia das cheias de 1967 e a mobilização estudantil que então ocorreu para apoiar as vítimas, alargou a sua actividade ao âmbito nacional e internacional, dedicou-se às artes e à medicina, tendo sido mesmo um dos autores da nova proposta de Lei de Bases da Saúde. João Semedo assumiu que teve a vida que escolheu, tendo revelado, muitas vezes, que preferia a política à medicina, porque a política, disse na altura, trata “a sociedade mais do que as pessoas”.
Membro da direcção do movimento cívico “Direito a morrer com dignidade”, João Semedo nasceu a 20 de Junho de 1951, em Lisboa, cidade onde frequentou o Liceu Camões e se veio a licenciar, na Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1975. Vivia há mais de 40 anos no Porto”, refere uma nota dos socialistas.
“A doença não lhe permitiu levar até ao fim o seu último desafio eleitoral, o da candidatura à Câmara do Porto nas autárquicas de 2017. Com as limitações da voz a condicionarem as intervenções públicas, fez questão de intervir na abertura da conferência que organizou em Lisboa sobre despenalização da morte assistida, em Fevereiro de 2018, com a participação de especialistas e deputados de vários partidos. Após a votação que chumbou a despenalização por escassa margem, Semedo afirmou que a sua aprovação “é uma questão de tempo: não foi agora, será na próxima legislatura”.
Depois de um longo percurso como médico e político, lançou em janeiro de 2018, em conjunto com o pai do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut, o livro “Salvar o SNS – Uma nova lei de bases da Saúde para defender a democracia”.

“Assim”, propõe o PS, “a Assembleia Legislativa da Madeira reconhece a pertinência de se fazer justiça à sua memória e expressa as mais sentidas condolências à família, aprovando um voto de pesar pelo seu falecimento, em reconhecimento pelo seu valor pessoal, político e profissional”.