Presidente da Junta não sabe se há condições para o arraial do Monte e quer que a Câmara venha a público dizer o que fez e porquê

Monte
O Monte continua a ser um polo de atração turística, mas para quem lá vive o sentimento de insegurança é grande no Largo da Fonte.
Idalina Silva
A presidente da Junta de Freguesia do Monte quer que a Câmara explique o que fez na intervenção do Largo da Fonte.

Praticamente a dois meses da Festa do Monte, continuam as dúvidas sobre o que é realmente importante para que o arraial se faça, em condições normais, depois da tragédia ocorrida em 2017 quando, no dia 15 de agosto, a queda de uma árvore, sobre o Largo da Fonte, matou 13 pessoas e feriu mais de meia centena. Sensivelmente dez meses depois, o medo não reduziu grande coisa, a população está reticente quanto à segurança do espaço, a Câmara fez várias intervenções, a última das quais em maio. Mais uns cortes e, pensava-se, estávamos conversados quanto à segurança do espaço, por muita insegurança que, mesmo no pensamento e à distância de (quase) um ano, se sinta devido ao que se passou e que inevitavelmente trará reflexos por muito tempo, nos comportamentos de quem lá vive, mas também de quem lá vai.

Perguntem à Câmara”

A Junta de Freguesia é um centro onde que se concentram as preocupações da população. A presidente, Idalina Silva, não sabe se os trabalhos entretanto desenvolvidos são suficientes, não sabe que metodologia foi seguida, não sabe a estratégia, não sabe, em síntese, se alguém pode garantir que há segurança plena para o arraial do Monte. Não sabe porque não lhe dizem, como refere. “Perguntem à Câmara”, é assim que reage sempre que é questionada sobre o que pode dizer sobre a Festa do Monte, daqui a pouco mais de um mês.

Explicar o que foi feito, como foi feito e porquê

A responsável por aquele orgão de poder local desafia a Câmara do Funchal a vir a público “explicar o que foi feito e porquê. Explicando qual foi a estratégia seguida. Foi feita uma intervenção, no final de maio, com a presença de técnicos, procederam a alguns cortes, mas ninguém veio explicar o que foi feito, porque foi feito daquela forma e não de outra. Por isso, quem tem que dizer se há condições para o arraial do Monte é a Câmara, é este orgão que passa as licenças, que recebe a receita das barracas, que coloca a iluminação. É a entidade que gere o arraial, até ao ano passado era assim, só se não quer gerir o arraial este ano. Isto não é um evento que se fecha a porta e responsabiliza-se o promotor por tudo o que ali se passa. É o único arraial do Funchal com dimensão regional, é isso que a Câmara deveria valorizar”.

O “braço de ferro” pela limpeza de caminho

Agora, a Junta está num “braço de ferro” com a Confiança, de Paulo Cafôfo. A questão nuclear, agora, é a limpeza do percurso que vai do Largo da Fonte à Igreja do Monte, aquele que tem uns degraus, de pedras umas junto às outras, que tanta promessa encerram, nos seus recantos, em todos os dias do Monte, que para muita gente, é o dia, um dia qualquer, o tal que mais precisam na sua crença, na sua fé. Por isso, o Monte é, muito, um centro de culto.

O problema é que a Câmara colocou, numa espécie de “caderno de encargos” da Junta, para poder transferir as verbas, a limpeza de percursos pedonais, sendo que, entre aqueles que a junta habitualmente limpa, aparece este percurso, o caminho Padre Marques Jardim, que segundo Idalina Silva, “faz parte integrante do Parque Leite Monteiro e que, por via disso, a limpeza deve ser da responsabilidade da Câmara, como de resto acontece com todo o Parque”. Lembra que inclusivé, a Junta tem que pedir autorização à Câmara para fazer uma obra nesse percurso, como aconteceu com a colocação de varandins, mas o mesmo não acontece com os percursos que habitualmente estão na nossa jurisdição ao nível da limpeza. Não acho correto”.

Caminho faz parte do Largo da Fonte em termos de registo

Largo da Fonte
Idalina Silva diz que o caminho Padre Marques Jardim “faz parte integrante do Parque Leite Monteiro. Foto Rui Marote

A verdade é que este clima de tensão, entre a Câmara da Confiança e a Junta do PSD, promete novos episódios. Para já, a Junta não assinou a minuta que irá permitir a transferência de verbas por parte da Câmara, é a única, no contexto do Funchal, nesse impasse. Idalina Silva sabe que é pelo facto de manter a sua posição de que é a Câmara que deve limpar esse percurso, como sempre o fez, são os jardineiros que garantem os trabalhos no Parque Leite Monteiro, são eles que sempre desempenharam essa tarefa, há muitos anos, não há razão para ser de outra forma”.

Idalina Silva diz que a Câmara esquece-se de dizer que aquele caminho faz parte, no cadastral, da mesma parcela do Largo da Fonte. E sendo assim, como é que aquele caminho pode ser considerado como um outro percurso pedonal qualquer da freguesia? Não faz sentido. E nenhuma vereação anterior obrigou a junta a proceder às operações de limpeza daquele espaço. E as transferências de verbas não começaram com o professor Paulo Cafôfo”.

Junta não recebe desde março

Falando de transferência de verbas, o que sabe é que a junta não recebe desde março. Não afirma que esse atraso seja, efetivamente, por causa deste diferendo relativamente a quem tem ou não o dever de limpar aquele caminho, mas pensa que tudo indica seja por essa razão. Até porque “as outras juntas já têm os valores atualizados”. Não falou com a Câmara, mas diz que vai falar. Admite que não concordou com as minutas e por isso ainda não assinou, as restantes juntas chegaram a acordo e assinaram, cada uma delas tem as suas especificidades”.