Voltar a colocar ovelhas no Parque Ecológico é uma completa loucura, reage Raimundo Quintal

Raimundo Quintal
Raimundo Quintal diz, a propósito do gado na serra, que a Madeira “corre o risco de ser mandada “por políticos com perfil à Bruno de Carvalho”.

O presidente da Associação dos Amigos do Parque Ecológico insurge-se hoje, na sua página do Facebook, contra a posição assumida pela Orgânica, uma associação de promoção da Agricultura Biológica, que defende “a manutenção de manadas e rebanhos no Parque Ecológico do Funchal, considerando esta uma das soluções sustentáveis de regeneração desta área, fundamental para a segurança das populações a jusante e da passagem de animais de várias espécies, consoante o objetivo a alcançar, devidamente acompanhados, nas terras altas do Maciço Montanhoso Central e no Paul da Serra / Fanal, de forma a promover a ativação da vida do solo e das condições necessárias para a recuperação dos ecossistemas de montanha e da vegetação natural, numa fase posterior”.

Diz Raimundo Quintal que a Organica não mostra “uma só imagem das áreas que a Associação dos Amigos do Parque Ecológico está a recuperar desde outubro de 2001 e que infelizmente foram quase totalmente destruídas por um incêndio em agosto de 2010, ateado por um criminoso na zona de mata pirófila de Santo António. A propósito dos criminosos que têm atentado contra o património florestal da Madeira nem uma só palavra, o que é sintomático; Falam do seu notável trabalho, mas não dizem onde. Seria importante compará-lo com o dos voluntários da AAPEF”.

Parque ecologico
Área próxima do topo do Pico do Areeiro onde a Associação dos Amigos do Parque Ecológico está a trabalhar. DR

Diz o presidente da AAPEF que aquela associação quer “voltar a colocar ovelhas no Parque Ecológico do Funchal e até já fala em manadas de vacas, o que é uma completa loucura e é exatamente o contrário do que preconiza o “Estudo de Avaliação do Risco de Aluviões na Ilha da Madeira” elaborado após a aluvião de fevereiro de 2010 por uma equipa multidisciplinar (IST, UMa, LREC) coordenada pelo Professor Doutor António Betâmio de Almeida; Defendem a transumância, mas como não dominam o conceito de escala, não percebem que a Madeira não possui área territorial para implementar esse método de criação de gado; Também, ainda não perceberam que a pujança e a riqueza biológica da Laurissilva são completamente alheias à presença do gado, o mesmo acontecendo com a formação vegetal do quarto andar fitoclimático da Ilha da Madeira, o que é natural pois só citam pretensos estudos científicos doutras realidades geográficas e históricas”.

A OrganicA, por exemplo, afirma defender, “desde sempre, diversas formas de pastoreio, que deverão adequar-se na forma, na espécie e sob a vigilância de diferentes intervenientes consoante o objetivo e as zonas onde é desenvolvida, não sendo necessário a intervenção ou autorização do IFCN em áreas fora do perímetro florestal e cabendo aos proprietários e detentores dos animais, cumprir com as normas que venham a ser definidas e apoiadas como uma atividade que mais do que um setor produtivo seja encarada como uma estratégia de ordenamento e sustentabilidade do território”.

 

Raimundo Quintal diz, no texto de reação à posição da Orgânica, que “Independentemente de posicionamentos políticos, os madeirenses e muito especialmente os técnicos que trabalham nos domínios das florestas, agricultura e pecuária, que têm consciência da propaganda mascarada de científica que certas organizações estão a veicular na Madeira e que se perspetiva piorar, devem publicamente manifestar a sua indignação. Se não o fizermos, corremos o risco de virmos a ser mandados por políticos com perfil à Bruno de Carvalho, incensados por claques de oportunistas. E isso será terrível para quem ama esta ilha e deseja que as gerações vindouras a recebem melhor do que nós herdámos”.