Novo líder da JSD-M em entrevista ao Funchal Notícias: “A política é uma actividade, não uma carreira”

Bruno Melim foi eleito no passado fim-de-semana, no congresso, em São Vicente.

Bruno Miguel Melim é o novo líder regional da JSD e também presidente do Conselho Nacional daquela estrutura partidária uma vez que apoiou e pertenceu à lista da nova líder nacional da JSD, Margarida Balseiro Lopes.

Foi eleito líder regional no passado fim-de-semana, no congresso, em São Vicente, sucedendo a André Alves e, esta semana, passou os dias a inteira-se da organização e dos dossiês da estrutura regional bem como de alguns eventos em que a JSD teve de estar presente, ao lado da juventude, como pretende fazer nos próximos dois anos.

FUNCHAL NOTÍCIAS: O que é que o levou a concorrer à liderança da JSD-Madeira?

BRUNO MELIM: A grande motivação que me fez avançar para a liderança da JSD foram os jovens e a oportunidade de lhes dar uma voz mais activa na defesa dos seus problemas. Achei que poderia dar um contributo diferente com um conjunto de companheiros no sentido de mudar o que tinha de ser mudado, respeitando o bom que vinha de vários mandatos anteriores como um património histórico, mas encarar o futuro com uma perspectiva diferente. Uma perspectiva mais jovem, de maior proximidade e acima de tudo uma perspectiva mais destemida e desprendida da política. A política é uma actividade, não uma carreira. Evidentemente que para isto foi essencial o grande apoio da juventude madeirense sendo eles militantes da JSD ou não. E por isso tenho a agradecer, em especial aos nossos militantes, esta oportunidade que me deram.

FN: Preferiu ser candidato único ou achava salutar concorrer com alguém?

B.M: Preferia ter tido adversário. A política é feita de combate, em que se opõe a razão contra a razão e depois do debate e dialéctica próprios da política chegamos à evidência. E não sejamos hipocritamente. Não surgiram outros candidatos visto que houve uma enorme mobilização das bases no projecto Liderar a Esperança. Preferia ter tido um bom adversário. Só enriquecia o debate interno.

FN: Qual o peso da JSD-Funchal na escolha do novo líder?

B.M: Ainda bem que faz essa questão, uma vez que tenho lido algumas coisas na blogosfera anónima como voltou a ser normal de há uns tempos para cá na JSD, factos esses que não correspondem à verdade. A JSD Funchal tem um peso de 25% dos delegados ao congresso. Em termos de eleição de delegados a votação que a candidatura teve no Funchal representou cerca de 24,8% do total de votos na Região. Podemos dizer que neste aspecto houve uma participação normal atendendo ao peso da estrutura concelhia na estrutura regional. No congresso, para além dos delegados eleitos, votam também as inerências- pessoas que foram eleitas e nomeadas para os órgãos regionais há dois anos pelo meu antecessor- que tem assento directo na reunião magna. E posto isto verificaram-se três coisas:
1.ª- A primeira das coisas é que o meu antecessor antes de liderar a JSD foi líder da JSD Funchal. Nesse sentido preencheu vários lugares da estrutura com militantes do Funchal, muitos deles que se foram afastando ao longo do anterior mandato e que naturalmente não compareceram para votar;
2.ª- Houve alguns erros na elaboração do caderno eleitoral. E dou um exemplo concreto: o meu candidato a secretario-geral adjunto, militante e residente no Funchal aparecia nos cadernos como militante no concelho de Santana.
3.ª- As condições logísticas deste congresso não foram fáceis para ninguém e isso naturalmente que se reflectiu na afluência aos trabalhos e à votação.
Naturalmente que houve militantes do Funchal que faltaram sim, mas a participação da JSD Funchal não só foi importante como meritória assim como de outras estruturas locais que apoiavam a candidatura.

FN: Indique três medidas que considera cruciais para a juventude, nos tempos que correm, e que os políticos podem ajudar a resolver.

B.M: Tendo em conta as áreas que definimos como prioritárias para a acção política para os próximos dois anos, é seguro afirmarmos que:
1.º- Defendemos um sistema dual para a educação que permita os jovens formarem-se enquanto profissionais de forma mais curta e próxima ao mercado de trabalho. Por isso defendemos uma via profissionalizante que forme os nossos jovens quadros de forma mais célere entre o posto de trabalho criado e o seu preenchimento por alguém que está a cumprir todos os passos da formação;
2.º- Permitir a todos os jovens entre 10 e os 25 anos de forma bianual check-ups clínicos nas várias especialidades numa lógica de promoção da cultura preventiva podendo assim fazer a monitorização desde cedo de patologias crónicas bem como daquelas que possam, no decorrer da idade, aparecer.
3.º- Uma nova política de transportes que contemple a mobilidade aérea para os jovens estudantes e para as famílias a 65€(inclusive para os jovens com residência no Porto Santo) e 86€ para as famílias. Um modelo simplificado em que todos os documentos necessários seriam carregado num portal, ao estilo do portal das finanças. Mas também uma política de transportes viária. Não podemos vangloriar-nos de termos feito um enorme investimento nas vias de acesso e a continuar a ser tão caro a um jovem do norte da ilha a circular nos vários concelhos. A aprovação do sub-23 e respectiva colocação em prática pela Governo Regional é um passo fundamental- e por isso congratulamos o governo regional por isso- mas para nos insuficiente. Defendemos por isso a criação de um passe tabelado para todos os jovens até aos 30 anos para que possam circular a preços mais baixos e aproveitando a mobilidade e as vias de acesso criadas na Região.

FN: Gosta do trabalho autárquico ou preferia estar no parlamento regional?

B.M: São âmbitos de trabalho diferentes mas que em muito me satisfazem. O trabalho autárquico procura uma proximidade e a resolução dos problemas quotidianos, e por isso obriga a que um autarca diligente ande no seu concelho, nas suas freguesias a verificar o que foi bem feito e o que falta fazer. É um trabalho desgastante mas recompensador porque é feito lado a lado com a população. Por isso estou muito satisfeito nas funções que assumi como autarca no passado mês de outubro. O Parlamento Regional tem um outro raio de acção que procura a discussão e aprovação de medidas de longo prazo e cujos resultados extravasam muitas vezes a própria legislatura. Há um escrutínio ao Governo Regional e isso obriga( ou devia obrigar) a que qualquer deputado conhecesse um pouco de todas as áreas e uma preparação diferente dos temas discutidos. Deve ser sem dúvida uma experiência interessante, mas não foi para isso que me candidatei à JSD. Sou Presidente da JSD e é isso que me satisfaz. Se aparecer a oportunidade da experiência parlamentar, agarrarei a mesma com o intuito de defender os nossos jovens e melhorar as suas vidas. Senão suceder, continuarei de forma feliz a liderar aquela que é a maior e melhor estrutura de juventude da Região bem como a 2 maior estrutura partidária da Região. Sim, a JSD é maior que qualquer partido da oposição. E “só” isso enche-me de orgulho.