Mais uma vez, quem fica prejudicado?

Caminhamos a passos largos para um ano que não só teremos as regionais, como as também as legislativas nacionais e as europeias. Pela primeira vez, as sondagens dizem que estas regionais serão históricas, pois pela primeira vez teremos umas eleições regionais verdadeiramente disputadas, o que faz com que muitos comecem a delirar. Mas haverá razões para esta mudança? Vamos por partes.

 

Novo Hospital: comecemos pela situação do “co-financiamento” do novo hospital. Já desde o antepenúltimo orçamento que o Dr. António Costa garante o financiamento de 50% da República, mas para isso, como é lógico, era necessário projeto e expropriações da parte do Governo Regional. Quais projetos, quais expropriações? Nem vê-las. Depois dos “laranjinhas” observarem que a birra não colava, finalmente deram o braço a torcer. Infelizmente demoraram a torcer, pois só agora próximo das regionais, vemos o Governo Regional a dizer “presente” à Madeira. Esta responsabilidade, era uma responsabilidade única e exclusiva do GR, mas nem isso fez com que a República virasse a cara aos madeirenses e ajudou a região com a promessa de financiar com 50% da construção, algo até proferido no PEC.

O que podemos concluir desta história toda? Temos de um lado aqueles que se fazem de fortes a dizer que não necessitam de apoios, pois a Madeira tem de ser independente e que repudiam o apoio da República, e do outro vemos aqueles que têm que recorrer aos serviços de saúde privados, por terem um serviço de pouca qualidade e de longa espera. É esta a política que nós queremos? É este o rumo que queremos continuar? É do conhecimento de todos que existiu, existe e sempre existirá uma ala “social-democrata” que sempre foi fanática pela independência da Madeira, fazendo com esses tomem medidas que só vêm prejudicar a Madeira, por “utopias” pseudo-intelectuais. Assim o fizeram no passado, fazem-no com o novo hospital e continuarão a fazer em outras matérias. Infelizmente quem está a sofrer com isto tudo são os madeirenses e os portossantenses,  que têm cuidados de saúde num hospital que entrou num processo de “deseconomia de aglomeração”. É um hospital que foi construído há umas décadas, com intuito de servir “X” população e neste momento serve 2 ou 3 vezes mais utentes do que o estipulado. Como é óbvio, isto tem uma influência “bola de neve”, acabando por se refletir nas questões, por exemplo, das listas de espera para cirurgias, onde estão há espera cerca de 180.000 madeirenses. Mais uma vez, quem sai prejudicado? Os madeirenses.

 

Mobilidade: vejamos o recente caso dos charters, onde dezenas de pais de estudantes madeirenses passaram a noite junto à loja do cidadão, para garantir voos para os filhos. Mais uma vez, o Governo Regional coloca “pensos rápidos” numa ferida demasiado profunda. É necessário garantir que todos os madeirenses possam vir passar as férias à sua “terra natal”, a preços dignos. É necessário garantir que os jovens paguem apenas os 65 euros de forma direta e não recorrendo a reembolsos. Esta sim é uma forma justa, que garantiria que muitos tivessem a possibilidade de regressar à sua terra natal. Mas quem fala dos nossos estudantes universitários, fala também das restantes secções da nossa sociedade cívil. O novo projeto do subsídio de mobilidade que o Governo Regional elaborou é vergonhoso. Afinal de contas, a continuidade territorial tem horas? Pelos vistos parece que sim, só ao início do dia ou ao final da noite. A continuidade territorial tem viagens? Parece que sim, o Governo Regional não aceita que os madeirenses viagem mais do que 4”X” vezes ao ano. Mais uma vez, os democratas tornaram-se burocratas e colocaram mais um entrave aos madeirenses. Mas se a mobilidade aérea já é má, pior ainda é a marítima. Temos um “Armas” que pretende ser novamente a arma política do PSD em 2019. Um Armas que tarda a sair de por “detrás da cortina”, depois de “longos concursos públicos”. Ainda para piorar, só mesmo o monopólio (e não, não é o jogo) da Porto Santo Line, que acordou no contrato com o governo regional operar 12 meses e efetua viagens somente em 11 meses. Mais uma vez quem sai prejudicado? Os madeirenses!

 

Economia: na economia, nem tudo está mau, está grave. Miguel Albuquerque referiu recentemente que a Madeira é uma das regiões que mais estabiliza a economia portuguesa, pois bem, o que é certo é que a Madeira agravou o défice nacional e como diz uma expressão popular – “e de que maneira”.

Uma análise aos dados da DGO relativos ao ano de 2017 mostram que a Madeira registou um défice de 157,2 milhões de euros em contabilidade pública. Já os Açores tiveram um défice significativamente inferior, de 24,3 milhões de euros. Como é claro, o défice da Madeira é 6,4 vezes superior ao dos Açores e torna-se assim um dos “grandes entraves” à economia nacional. No Turismo, a Região injetou 700 mil euros a mais para a promoção da Madeira, mas o que é facto é que os nossos principais mercados desceram 25%, desde Outubro passado. Ou seja, houve mais investimento e menos resultado. Mais uma vez quem sai prejudicado? Os Madeirenses!