Sobre a “guerra de tronos”

 

 

Há quem ache isto tudo um pouco ingénuo. Pois bem, realmente é. Talvez porque pertenço aquele grupo de pessoas ingénuas que vão mantendo, com o passar dos anos, a capacidade de olhar para os ‘outros’, para o mundo, o nosso e o dos outros, como se fosse a primeira vez. Foi num desses momentos que percebi que tudo aquilo que se mostra, realmente, literalmente, que é explícito, poucos são os que se mostram capazes de ver. Por dentro e por fora. Mesmo do avesso. Em perspetiva.
Dentro desta lógica, li e reli a notícia que dava conta de que “Barreto ameaça bater com a porta”, na qual afirma estar «farto de ser bombeiro de serviço e bombo da festa de medíocres que nada fizeram em nome do CDS». Ora, o CDS de Rui Barreto é o mesmo CDS que eu milito. E que, ao contrário daquilo que se julga, está vivo, plural e cada vez mais focado no propósito que o faz resitir. E, sim, há debate interno. Felizmente.

A liderança, ou a falta dela, não é de todo uma questão que se coloca. Nunca foi e não será o mote do congresso que se aproxima. O CDS/PP tem um presidente, António Lopes da Fonseca, que lidera e que tem estado determinado a fazer mudanças. A bem do partido. Fez da captação de novos quadros e da renovação pelo mérito as suas palavras de ordem. E, no meu entender, fê-lo muito bem.
Mas, em democracia, os partidos regeneram-se. Rui Barreto é o homem que se segue. Esteve, desde sempre, ao serviço do partido, com uma missão política muito clara: a liderança. Uma missão natural, dentro do tempo previsto, própria de quem não se rege por valores menos nobres, nos quais a ambição é palavra-chave.
É tempo, por isso, de agradecer o empenho dos centristas madeirenses e portossantenses durante os anos de liderança de José Manuel Rodrigues, bem como de deixar um agradecimento ao trabalho desempenhado ao longo dos últimos dois anos pelo atual presidente do CDS/PP, António Lopes da Fonseca. Terminado este ciclo político, é tempo de projetar o futuro, ou seja, trabalhar em prol de uma unidade que sairá reforçada pelo presidente do partido que, no início do 2.º semestre deste ano, será eleito, por todos nós, no próximo congresso.
Rui Barreto demonstrou coragem ao assumir uma candidatura à liderança do partido. E é esse o Rui que eu conheço. Com um dever cívico que o empurra, mesmo nos tempos de maiores dificuldades, para um exercício maior de cidadania. Acredito que conseguirá cimentar fissuras, recuperar a coesão, para que no CDS/PP se possa voltar a respirar liberdade, de pensamento e de opinião, sem ofensas e sem pessoalizar questões coletivas, com diálogo e respeito. Que esta não seja mais uma ‘guerra de tronos’, num partido que muitas vezes foi visto como sendo “de um homem só”.
Continua a querer pertencer ao grupo dos mais ingénuos.